Rota Bioceânica impulsiona investimentos em saneamento em cidades de MS

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Estação de Tratamento de Esgoto de Sidrolândia (Foto: Divulgação/Sanesul)

Municípios do corredor internacional apresentam diferentes níveis de cobertura de esgoto; Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo chegam a 99%, enquanto Porto Murtinho registra 92,35%

A expectativa de aumento no transporte de cargas e na atividade econômica com a implantação da Rota Bioceânica também coloca em evidência um desafio para Mato Grosso do Sul: preparar a infraestrutura das cidades que estarão no caminho do corredor internacional. Entre as áreas consideradas estratégicas está o saneamento básico, com investimentos para ampliar a coleta e o tratamento de esgoto nos municípios que devem ganhar importância logística e econômica.

A conexão vai ligar o Brasil aos portos do Chile, passando por Paraguai e Argentina, e deve facilitar o escoamento da produção brasileira em direção aos mercados asiáticos. Em Mato Grosso do Sul, o traçado contempla municípios como Três Lagoas, Água Clara, Ribas do Rio Pardo, Campo Grande, Sidrolândia, Nioaque, Guia Lopes da Laguna, Jardim e Porto Murtinho.

Nesse cenário, o Governo do Estado, por meio da Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul), informa que vem ampliando os serviços de esgotamento sanitário para acompanhar as perspectivas de crescimento urbano e econômico ao longo do corredor.

Os dados da companhia, referentes a setembro de 2026, mostram que os municípios apresentam diferentes níveis de cobertura. Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo estão entre os destaques, com atendimento de 99% da população por rede de esgoto.

A situação é diferente em outros pontos do corredor. Porto Murtinho, que terá papel central na ligação entre o Brasil e o Paraguai por meio da ponte internacional sobre o Rio Paraguai, registra 92,35% de cobertura. O município é considerado estratégico para o transporte de mercadorias que seguirão em direção aos portos chilenos.

O índice também tem importância ambiental. Por estar próximo ao Pantanal e às margens do Rio Paraguai, Porto Murtinho depende da proteção dos recursos hídricos. A coleta e o tratamento do esgoto ajudam a reduzir o lançamento de resíduos sem tratamento no meio ambiente.

Sidrolândia apresenta cobertura de 87,27%, enquanto Guia Lopes da Laguna chega a 85,47%. Já Jardim tem 59,29% e Nioaque, 56%. Nesses municípios, a ampliação da rede de coleta e dos sistemas de tratamento é apontada pela Sanesul como parte da preparação para o crescimento das cidades.

Saneamento acompanha expansão econômica

Além da movimentação de cargas prevista com a Rota Bioceânica, Mato Grosso do Sul vive a expansão de atividades industriais e agropecuárias. Em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, por exemplo, o setor de celulose tem impulsionado a economia e aumentado a demanda por infraestrutura urbana.

A cobertura de esgoto nesses dois municípios chega a 99%, segundo o levantamento da Sanesul. O percentual está entre os mais elevados registrados nas cidades atendidas pela empresa.

No conjunto das localidades sob responsabilidade da companhia, distribuídas por 68 municípios, a cobertura de esgotamento sanitário alcançou 81,12% em setembro de 2026. A ampliação dos serviços ocorre também por meio da parceria público-privada entre a Sanesul e a Ambiental MS Pantanal.

O Novo Marco Legal do Saneamento estabelece como meta que 90% da população tenha acesso à coleta e ao tratamento de esgoto até 2033. O governo estadual afirma que pretende antecipar esse prazo.

Com a perspectiva de maior circulação de pessoas, mercadorias e empresas pelo corredor internacional, a infraestrutura sanitária passa a ser um dos pontos considerados na preparação dos municípios. A proposta é fazer com que o desenvolvimento econômico venha acompanhado de serviços capazes de atender à população e reduzir os impactos ambientais.