‘Cumpri com o meu dever’, diz ex-PM que derrubou mulher em banco

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09/05/2015 10h00

‘Cumpri com o meu dever’, diz ex-PM que derrubou mulher em banco

Segundo ele, quem cometeu crime foi a cliente, crime: desobediência.

Caso ganhou repercussão na semana passada ao cair nas redes sociais.

O policial militar flagrado agredindo uma cliente em uma agência do Banco do Brasil em São Paulo foi exonerado pela corporação. O incidente foi registrado em agosto do ano passado mas só agora divulgado e, consequentemente, difundido nas redes sociais.

Luiz Fabiano de Aquino, mais conhecido como Soldado Aquino, autor da agressão contra uma mulher identificada como Cláudia Viera Moss, diz que não se arrepende dos seus atos. “Fiz o certo”, afirmou.

Cláudia teria ficado presa na porta giratória da agência bancária por possuir um pedaço de metal em um dos braços. Ela explicou que mostrou a bolsa várias vezes, mas nem assim a sua entrada foi liberada.

A mulher acionou a PM após a porta giratória do banco bloquear sua entrada. Claudia disse, no Facebook, que os armários na entrada estavam “lotados ou quebrados” e que seguiu a orientação do segurança. “Retornei três vezes à linha amarela. Despejei o conteúdo da bolsa no chão, expliquei o motivo de eu ter ido ao banco”, afirmou. “E, como me recusasse a sair do banco, fui arrastada e jogada com violência contra a parede de vidro, caindo ao chão. Enfim. Hematomas por todo lado e o brio no chão.”

Aquino afirma que agiu pelo bem dos outros clientes que estavam no banco.

“Eu posso utilizar de força! Eu te chamei dez vezes…”, diz o PM durante a ação, tão logo a cliente se retira da agência.

Sem arrependimento

“Fiz apenas o meu dever”, disse Aquino em recente entrevista. De acordo com Aquino, Cláudia “cometeu um crime ao desobedecê-lo”. Ele tentou justificar a agressão: “ela caiu acidentalmente”.

O ex-policial também acredita que a vítima cometeu um segundo crime: impedir o direito de ir e vir das pessoas, já que permaneceu parada diante da porta giratória durante cerca de meia hora.

Aquino não fala em arrependimento. “Não bate arrependimento até hoje. Tenho a certeza de que cumpri o meu dever”, alegou. “O policial deve escalonar a forma de atuar, da forma mais branda para a forma mais forte. Primeiro grau é a presença policial. O segundo grau é a verbalização. Já o terceiro grau é o contato físico. Foi até onde chegou”, considera.

Exoneração
A PM, porém, disse discordar da forma como o então soldado agiu. “A conduta do policial militar é inadmissível”, disse em nota a corporação. “O policial militar que aparece na filmagem foi exonerado.”

A exoneração ocorreu em 22 de outubro do ano passado, segundo o Diário Oficial do estado. Aquino acrescenta, porém, que a saída nada tem a ver com o que aconteceu em agosto passado.
“Aquela foi minha última ocorrência na PM. No dia seguinte, tirei licença prêmio de 90 dias e, depois, pedi para sair. Após 12 anos de polícia.” Ele atualmente trabalha em um ramo não ligado ao setor de segurança.

Ao ser questionado se arrepende-se de ter usado a força para retirar a mulher, respondeu: “Não bate arrependimento até hoje. Tenho a certeza de que cumpri o meu dever”.

Fonte G1

Soldado que atirou cliente de banco no chão foi exonerado pela PM (Imagem: Youtube)