31/01/2020 09h15
Por: G1
O dólar opera estável nesta sexta-feira (31), de olho nos desdobramentos dos riscos relacionados ao coronavírus e seu possível impacto econômico na China. Às 9h04, a moeda norte-americana subia 0,1%, vendida a R$ 4,2611.
No dia anterior, a moeda norte-americana encerrou o dia em valorização de 0,90%, vendida a R$ 4,2574. O recorde histórico foi alcançado no dia 27 de novembro do ano passado, quando o dólar fechou a R$ 4,2584. No ano, a moeda já acumula alta de 5,22%.
Coronavírus
Em todo o mundo, investidores temiam as consequências do surto de coronavírus para o crescimento da segunda maior economia do mundo, o que impulsionou o dólar contra boa parte das divisas arriscadas, como peso mexicano, lira turca, dólar australiano e iene chinês.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou nesta quinta-feira que a epidemia de coronavírus na China agora constitui uma emergência de saúde pública de interesse internacional. O número de mortos pelo vírus já passa de 170 em 18 países. A China continua sendo o mais afetado.
O receio do mercado é que o surto afete a demanda dos consumidores e tenha impactos mais diretos e abrangentes sobre a atividade econômica, uma vez que o mercado tem na memória a epidemia de SARS de 2002 a 2003, também na China.
“A China é hoje o quintal industrial do planeta e o mercado avalia o quanto o vírus pode afetar a produção do país. disse Fabrizio Velloni, chefe da mesa de câmbio da Frente Corretora.
Os mercados emergentes, como o Brasil, sofrem mais porque são grandes exportadores de commodities, principalmente minério de ferro. Com a expectativa de revisão para baixo da demanda chinesa por esses produtos, a perspectiva é de que entre menos dólar nesses países, e por isso a procura pela moeda aumenta, e o preço sobe”, explicou.
Segundo Velloni, caso o cenário na China fique mais positivo em função de algum fato novo, como uma possível vacina para o vírus, o câmbio pode rapidamente voltar a um patamar mais baixo. “Em momentos de crise o pessoal precifica muito mais alto. E depois o mercado volta à racionalidade”, afirmou.
Para ele, também tem influência menor sobre a alta do dólar os desencontros entre governo e ministros. “Isso prejudica a expectativa de como vão ser as reformas neste ano. Desde que o presidente mudou de partido, ainda não tivemos uma votação que ratifique que o governo vai ter a mesma base que teve para a Previdência. Mas isso não pesa tanto quanto o coronavírus.”




















