Bolsonaro faz pronunciamento após demissão de Mandetta

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Presidente convida o oncologista Nelson Teich para assumir a pasta. Médico foi consultor de saúde durante a campanha eleitoral de Bolsonaro

16/04/2020 16h43
Por: R7

O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), realizou um pronunciamento nesta quinta-feira (16) após a demissão de Luiz Henrique Mandetta (Saúde). Em seguida, apresentou o novo ministro da Saúde, Nelson Teich.

“Na maioria das vezes, o problema não afeta só a um ministério. Quando se fala em saúde, fala-se de vida, e não pode deixar de falar em emprego. Uma pessoa desempregada estará mais propensa a sofrer problemas de saúde do que uma outra empregada. E, desde o começo da pandemia, eu me dirigi a todos os ministros e falei sobre vida e emprego”, argumentou, comparando com um paciente que possui duas doenças. “Não pode abandonar uma e tratar exclusivamente de outra”, disse.

O presidente afirmou que a exoneração de Mandetta foi um “divórcio consensual” e que “não condenada, nem recrimina e nem critica” a atuação do ex-ministro. “Ele fez aquilo, que como médico, achava que devia fazer. Ao longo desse tempo, a separação cada vez se tornava uma realidade, mas não podemos tomar decisões de forma que o trabalho feito até o momento fosse perdido”, reconhece.

Bolsonaro também comentou sobre a necessidade de voltar ao emprego. “O governo não abandonou os mais necessitados. E foi o que eu conversei com o doutor Nelson (Teich), que gradativamente nós temos que abrir os empregos no Brasil”, disse. “O governo não tem como manter esse auxílio emergencial ou outras ações por muito tempo, uma vez que já se gastou aproximadamente R$ 600 bilhões”, avaliou.

O presidente fez um apelo para os outros Poderes, Judiciário e Legislativo. “A responsabilidade não é só minha. Jamais mandaria prender quem estivesse nas ruas. Jamais vou tirar direito constitucional de ir e vir. Temos que tomar medidas, sim, para evitar proliferação do vírus, mas com medidas que não atinjam as liberdades individuais e jamais cerceremos os direitos fundamentais. Quem tem o direito de decretar estado de sítio após o parlamento é o presidente da República, e não prefeito ou governador.”

Em seguida, Bolsonaro apresentou o novo ministro da Saúde, o oncologista Nelson Teich. O novo titular reafirmou a necessidade de distanciamento e isolamento como medida no combate ao novo coronavírus.

“Não vai haver nenhuma definição brusca. Como é tudo confuso, tratamos a ideia como fato e cada decisão como tudo ou nada. Precisamos enxergar e definir cada forma. É necessário que cada vez mais seja baseado em informação sólida”, disse.

“Segunda coisa é discutir Saúde e Economia. O que é muito ruim porque não competem entre si, porque são complementares e não excludentes. Quanto mais desenvolvido um País for, mais se investe em saúde”, acrescentou.

Nelson Teich

O novo ministro da Saúde é natural do Rio de Janeiro e formado em medicina pela UER (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). Ele chegou a ser cotado para a pasta da Saúde antes da posse de Bolsonaro na Presidência.

O oncologista foi consultor de saúde durante a campanha eleitoral de Bolsonaro e assessorou o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Denizar Vianna, de setembro de 2019 a janeiro de 2020.

Mandetta, por sua vez, foi demitido após um processo de colisão com o presidente nas últimas semanas, principalmente em relação a condução de medidas de enfrentamento ao novo coronavírus.

“Acabo de ouvir do presidente Jair Bolsonaro o aviso da minha demissão do Ministério da Saúde. Quero agradecer a oportunidade que me foi dada, de ser gerente do nosso SUS, de pôr de pé o projeto de melhoria da saúde dos brasileiros e de planejar o enfrentamento da pandemia do coronavírus, o grande desafio que o nosso sistema de saúde está por enfrentar”, escreveu Mandetta em sua conta no Twitter.

Guilherme Mazui/G1