Publicado em 12/07/2018 14h15
Após absolvição, Delcídio pode viabilizar disputa nas eleições deste ano
O ex-senador vai recorrer ao STF para anular os efeitos da inelegibilidade
Da redação
O ex-senador Delcídio do Amaral (PTC-MS) foi absolvido da acusação de tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. A sentença do juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal Criminal no Distrito Federal.
Ele foi denunciado pelo então procurador-geral da República Rodrigo Janot no Supremo Tribunal Federal (STF) por ter, na época, foro privilegiado.
Responsável pelo caso, o juiz Ricardo Leite, entendeu que não há provas suficientes para condenar os acusados, inclusi o ex-senador.
“Há inúmeras possibilidades e circunstâncias do que realmente ocorreu, incluindo a possibilidade real de que os pagamentos foram solicitados por Bernardo e Cerveró de forma premeditada. Há, então, clara a intenção de preparar o flagrante para depois oferecer provas ao Ministério Público”, entendeu o juiz.
Com a decisão do juiz Ricardo Leite, o ex-senador irá recorrer ao STF para anular os efeitos da inelegibilidade da cassação do seu mandato pelo Senado. Ele poderá concorrer as próximas eleições para o Senado
Delcídio poderá usar os mesmos argumentos do senador cassado Demóstenes Torres (GO). O STF autorizou Demóstenes a concorrer as próximas eleições.
O Caso
De acordo com a acusação, Lula teria feito esforços no sentido de impedir que o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró firmasse acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato.
A suposta tentativa teria contado com ajuda do ex-senador Delcídio do Amaral, do pecuarista José Carlos Bumlai, que é de Mato Grosso do Sul, do banqueiro André Esteves, e mais três pessoas, todos acusados pelo Ministério Público Federal (MPF), que depois retificou a denúncia, de oferecer dinheiro em troca do silêncio de Cerveró.
Prisão
O caso começou em 2015, quando a Procuradoria-Geral da República (PGR) usou depoimentos da delação premiada do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró e do filho dele, Bernardo Cerveró, para pedir a prisão do senador Delcídio do Amaral, então no PT-MS; de André Esteves, dono do Banco BTG Pactual; do ex-advogado de Cerveró Edson Ribeiro; e do chefe de gabinete do senador, Diogo Ferreira. Todos os acusados que foram absolvidos hoje.
A PGR afirma no processo que Delcídio ofereceu dinheiro para evitar a citação de seu nome nas investigações. “O senador Delcídio Amaral ofereceu a Bernardo Cerveró auxílio financeiro, no importe mínimo de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) mensais, destinado à família de Nestor Cerveró, bem como prometeu intercessão política junto ao Poder Judiciário em favor de sua liberdade, para que ele não entabulasse acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal”, disse a PGR.
Quando surgiu o escândalo, Delcídio chegou a ficar preso por 90 dias e perdeu o mandato de senador. Foi solto em fevereiro de 2016, depois de também fechar acordo de delação premiada.
Reviravolta
Cenário eleitoral de 2018 pode sofrer reviravolta com a absolvição do ex-senador Delcídio do Amaral (PTC-MS). “Com essa absolvição, a ideia inicial é Delcídio candidato ao senado, nome muito forte”, afirmou o correligionário de Delcídio, o ex-senador, Antônio João Hugo Rodrigues (PTC-MS) que lançou pré-candidatura para deputado estadual.
A expectativa de que Delcídio fosse inocentado era grande entre os integrantes do partido, já que a própria promotoria de Brasília, do Ministério Público pediu absolvição dele.
O pré-candidato a deputado estadual, Antonio João também defende que, apesar de se ter apenas duas vagas ao senado, em que Nelson Trad (PTB), José Orcírio dos Santos (PT) e Waldemir Moka (MDB) são nomes de relevância no pleito, contudo, com a chegada de Delcídio, o cenário ficaria mais apertado, na análise de Antonio João.
Na leitura do ex-senador, Delcídio teria sido injustiçado ao ser acusado de tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e agora seu correligionário voltará com mais força. “Ele vem sem cara de tornozeleira, vem liberado para ser candidato, vem inocentado, vem pronto!”, acrescentou Antonio João.
O ex-senador disse também que devido a demora na sentença de absolvição, não foi possível lançar Delcídio como pré-candidato a Governo do Estado. “Mas se ele decidir ‘esculhambar’, ele também é um candidato muito forte”, declarou o ex-senador, lembrando que Delcídio é um grande apoiador da pré-candidatura de André Puccinelli (MDB) para governador do Estado.
O ex-senador já adiantou que irá recorrer ao STF para anular os efeitos da inelegibilidade da cassação do seu mandato pelo Senado e deverá anunciar candidatura, futuramente.




















