Alunos de Medicina da Uniderp protestam contra estrutura e mudanças acadêmicas

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(Foto: Divulgação)

Estudantes mostram infiltrações, danos em banheiros e escorpiões e questionam avaliação que pode interferir na entrada no internato

Uma manifestação marcada para quarta-feira (12) deve levar estudantes de Medicina da Uniderp às ruas para cobrar respostas sobre problemas que, segundo os acadêmicos, vão além das condições físicas da universidade. O grupo reclama de infiltrações, danos em banheiros, presença de escorpiões e dificuldades relacionadas ao internato, além de questionar mudanças nos critérios acadêmicos e a implantação de uma nova avaliação que poderá influenciar a progressão dos alunos no curso.

Registros enviados pelos estudantes mostram água acumulada no piso de uma sala, danos no forro de banheiros, sinais de infiltração e desgaste em diferentes espaços utilizados pelos acadêmicos. Também foram encaminhadas imagens de escorpiões encontrados nas dependências da instituição.

Segundo os alunos, os problemas causam preocupação principalmente diante do custo da graduação. A mensalidade do curso de Medicina pode chegar a aproximadamente R$ 14 mil, conforme os estudantes, com possibilidade de redução para cerca de R$ 12,6 mil mediante desconto.

Para o grupo, o valor cobrado deveria ser acompanhado de estrutura e serviços compatíveis com as necessidades de uma formação médica.

Reclamações vão além da estrutura

A mobilização também envolve questões relacionadas à organização acadêmica. Os estudantes afirmam que mudanças realizadas durante a graduação provocaram dúvidas sobre critérios de avaliação, planejamento das atividades e requisitos necessários para avançar nas diferentes etapas do curso.

Outra queixa diz respeito à formação oferecida. Acadêmicos relatam que alguns estudantes recorrem a cursos preparatórios, plataformas digitais e materiais externos para complementar o conteúdo recebido na universidade e se preparar para avaliações, entre elas o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed).

Os alunos também apontam dificuldades relacionadas ao internato médico, etapa da graduação em que passam a desenvolver atividades práticas em ambientes de atendimento, sempre sob supervisão.

Entre os problemas relatados estão questões envolvendo a organização das atividades, professores, cumprimento de horários e alterações na carga horária.

Nova avaliação é um dos principais pontos de tensão

Entre as reclamações, a implantação da Avaliação de Progressão por Competências (APPC) é apontada pelos estudantes como um dos principais motivos de preocupação.

Acadêmicos que ingressaram no curso no primeiro semestre de 2023 ou em períodos anteriores à publicação da Resolução CNE/CES nº 3/2025 elaboraram uma notificação extrajudicial encaminhada à Reitoria da Uniderp e à coordenação de Medicina.

No documento, os estudantes pedem esclarecimentos, acesso a informações e documentos institucionais e questionam a aplicação da nova sistemática às turmas que já estavam matriculadas antes da entrada em vigor das novas diretrizes.

Segundo o relato apresentado na notificação, a APPC teria sido apresentada aos alunos como uma avaliação abrangente, semelhante ao Enamed, com exigência de desempenho mínimo, como nota 7 ou determinado número de acertos em cada etapa.

O principal receio está nas consequências de um resultado abaixo do índice estabelecido.

De acordo com a interpretação apresentada pelos estudantes, um aluno poderia ser considerado apto nas disciplinas, módulos e estágios previstos na matriz curricular e, ainda assim, não avançar academicamente caso não alcançasse o desempenho exigido na APPC.

Na prática, segundo os acadêmicos, isso poderia resultar em retenção ou impedimento de ingresso no internato, dependendo da etapa da graduação.

Estudantes questionam base para aplicação da regra

Na notificação extrajudicial, os estudantes afirmam que a Resolução CNE/CES nº 3/2025 prevê uma avaliação somativa abrangente antes do início do internato, com o objetivo de verificar se o aluno possui competências mínimas para atuar sob supervisão.

O grupo, porém, questiona a existência de previsão para utilização de uma nota mínima de 7 como critério eliminatório e para retenção automática.

Por isso, os acadêmicos pedem que a universidade indique qual dispositivo legal, regulamentar ou contratual autorizaria a utilização da APPC como requisito para progressão dos estudantes que iniciaram a graduação antes da vigência das novas diretrizes.

Também são solicitadas explicações sobre eventual reprovação, retenção, impedimento de progressão e bloqueio do acesso ao internato.

Turmas anteriores à resolução contestam aplicação

Outro ponto levantado pelos estudantes é a regra de transição prevista na própria resolução.

Na interpretação apresentada na notificação, o artigo 39 da Resolução CNE/CES nº 3/2025 estabelece critérios para adequação dos cursos de Medicina às novas diretrizes.

Os acadêmicos entendem que as novas exigências deveriam alcançar as turmas abertas após o início da vigência da resolução. Por isso, questionam a aplicação da APPC com caráter eliminatório aos estudantes que ingressaram anteriormente.

A manifestação prevista para quinta-feira deve reunir alunos para cobrar respostas da instituição sobre as condições estruturais do campus, a organização do internato, as mudanças acadêmicas e os critérios relacionados à nova avaliação.

Uniderp

Até a publicação desta reportagem, não havia sido apresentado posicionamento da Uniderp sobre as reclamações relatadas pelos estudantes e os questionamentos feitos na notificação extrajudicial.

O espaço permanece aberto para manifestação da instituição.

*com informações Correio do Estado