
A atleta consagrada medalhista olímpica nos Jogos Olímpicos de Atlanta-1996, Ana Moser, tomou posse na manhã desta quarta-feira (4), como ministra do Esporte do Brasil. Ela ratificou o que já vinha falando, ao participar da equipe de transição doa agora governo Lula, que visa implementar uma política de esporte para todos e não só focar ou dar espaço para ‘famosos’, que merecem, mas não é só deles, do alto rendimento, que tem esportista no Pais. Um dos principais desafios da ministra será reconduzir ao status de Ministério, o Esporte, que foi rebaixado a secretaria por Jair Bolsonaro (PL) e sem verbas e estrutura.
“[Vamos] fazer uma revolução e inverter a lógica que sempre colocou como prioridade o alto rendimento, o topo da pirâmide de uma estrutura que deveria ser garantidora do esporte para todos, como previsto na Constituição. Já ouvimos esse discurso milhares de vezes, mas dessa vez a janela de oportunidade é única, porque há entendimento com o presidente Lula. Diria mesmo que é um milagre que aconteceu nessa área, para quem defende o esporte como direito de todos. Não seria eu nessa cadeira se não fosse essa a intenção”, disse.
A ministra que ainda não havia se manifestado sobre equipe, aproveitou para também anunciou os nomes que vão ocupar postos na pasta. Marta Sobral, ex-jogadora de basquete campeã, estará na secretaria de alto rendimento; Jorge Luis Ferrarezi, ex-vereador de São Bernardo, será da secretaria de futebol e torcida; e Diogo Silva, ex-lutador de taekwondo, que ainda não teve seu papel detalhado pela ministra.
Moser é a primeira mulher ministra do Esporte do Brasil e o primeiro nome a chefiar a pasta em um governo petista que não é ligado diretamente a um partido político. Desde o primeiro governo Lula, a pasta foi ocupada por integrantes do próprio PT, do PC do B e também já ficou nas mãos do PRB (hoje, Republicanos).
A esportista
Nas quadras, Moser foi bronze nas Olimpíadas de Atlanta (1996) —a primeira medalha olímpica do vôlei feminino brasileiro. Aposentou-se três anos depois e passou a se dedicar a projetos sociais.
Fundou o Instituto Esporte e Educação e, mais recentemente, dirigiu a organização Atletas Pelo Brasil. À frente da entidade, a ex-jogadora de vôlei foi uma das articuladoras da sociedade civil em prol da Lei Geral do Esporte e do Plano Nacional do Desporto. Na equipe de transição do governo Lula, Moser integrou o grupo de trabalho do esporte.
A atuação com foco no aspecto educacional, de saúde e social da prática esportiva contrasta com a marca dos primeiros governos petistas, os megaecentos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas do Rio, que depois acabaram criticados por seu legado inócuo.
Segundo ela, inclusive, foi um pedido de Lula que sua gestão foque no esporte para todos. “Esse esporte presente na vida das pessoas, o esporte de cada um em diferentes fases da vida. É esse esporte que ele quer”, afirmou à imprensa no dia de seu anúncio oficial para a pasta.
Foi esse perfil —que mistura a experiência como atleta de alto rendimento com a gestão social—, dizem pessoas do setor, que a cacifou para o cargo. Ela é vista com bons olhos por ONGs, atletas e também por confederações, e o anúncio deverá acontecer nesta semana, junto com o restante dos ministros do futuro governo.
Apesar de anos de trabalho na gestão esportiva e no debate sobre políticas públicas, Moser pouco atuou diretamente dentro de estruturas de administrações do Estado. Contudo, ela já foi nomeada diretora do Centro Olímpico do Parque do Ibirapuera, dentro da estrutura da Secretaria de Esportes de São Paulo, e integrou o Conselho Nacional do Esporte, do Ministério do Esporte, ambos cargos não tão centrais dentro das respectivas pastas.




















