Após duas derrotas, Zeca supera Puccinelli em disputa por vaga na Assembleia de MS

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(Fotos: Reprodução)

Petista teve 42.714 votos contra 40.602 do emedebista; os dois ex-governadores foram eleitos para a Assembleia, em novo capítulo da rivalidade iniciada há três décadas

A disputa que atravessou três décadas da política de Mato Grosso do Sul teve, neste domingo (4), um resultado inédito: Zeca do PT terminou pela primeira vez à frente de André Puccinelli em uma eleição direta entre os dois. Aos 76 anos, o ex-governador foi reeleito deputado estadual com 42.714 votos, enquanto o adversário, de 78 anos, recebeu 40.602 votos. A diferença foi de 2.112 votos.

O resultado encerra uma sequência de dois confrontos eleitorais vencidos por Puccinelli. Em 1996, na disputa pela Prefeitura de Campo Grande, o emedebista derrotou Zeca por apenas 411 votos. Em 2010, os dois voltaram a se enfrentar, desta vez pelo Governo de Mato Grosso do Sul, e Puccinelli venceu no primeiro turno com 55,99% dos votos, contra 42,49% de Zeca.

Trinta anos depois do primeiro embate, a rivalidade ganhou um novo capítulo, desta vez em uma disputa proporcional pela Assembleia Legislativa. Zeca ficou em quarto lugar entre os candidatos mais votados, enquanto Puccinelli terminou na sexta colocação. Ambos foram eleitos para a próxima legislatura.

Durante a campanha, Puccinelli chegou a desafiar publicamente o antigo adversário. Em março, afirmou que pretendia terminar a eleição com uma vantagem de 15 mil votos sobre Zeca e fazer a terceira vitória na disputa particular entre os dois.

A declaração fazia referência aos confrontos anteriores e levou a uma nova troca de provocações. Zeca inicialmente disse que não pretendia responder ao adversário, mas depois rebateu as declarações com críticas ao histórico político de Puccinelli.

O petista afirmou que não responderia a “imbecilidades e a imbecis” e, em outro momento da campanha, fez referência às investigações que atingiram o ex-governador, dizendo: “Nunca fui preso e nem usei tornozeleira. Aí está nossa principal diferença”.

A disputa deste ano, no entanto, não se resumiu ao duelo pessoal entre os dois ex-governadores. O desempenho das respectivas legendas também produziu resultados distintos na eleição para a Assembleia.

O MDB elegeu apenas Puccinelli, reduzindo sua representação em relação à legislatura anterior, quando tinha três deputados estaduais. O resultado ficou abaixo da expectativa manifestada pelo ex-governador durante a campanha, quando projetava a eleição de três ou quatro parlamentares pela legenda.

Já o PT ampliou sua bancada de três para quatro cadeiras. Além de Zeca do PT, foram eleitos Tiago Botelho, com 39.387 votos, Professora Gleice Jane, com 29.844, e Pedro Kemp, com 28.397.

Na composição geral da Assembleia Legislativa, o PL formará a maior bancada, com nove deputados. PT terá quatro cadeiras, enquanto PSDB e PP terão três cada. Republicanos terá duas vagas, e MDB, União Brasil e Avante, uma cadeira cada.

O resultado também marcou o retorno de Puccinelli ao Legislativo estadual. Ex-prefeito de Campo Grande por dois mandatos e governador de Mato Grosso do Sul entre 2007 e 2014, ele já havia exercido mandato de deputado estadual antes de chegar ao comando do Executivo.

Zeca, por sua vez, mantém a trajetória política que inclui mandatos de vereador, deputado estadual, deputado federal e governador por dois mandatos, entre 1999 e 2006. Com a reeleição, seguirá na Assembleia Legislativa na próxima legislatura.

Procurado pela reportagem para comentar o resultado e a vitória no duelo particular com Puccinelli, Zeca não se manifestou.

Puccinelli, além de lamentar o desempenho do MDB, também comentou a não reeleição de Júnior Mochi, deputado de seu partido e aliado político de longa data.

A eleição de 2026, portanto, acrescentou mais um capítulo à história de uma das rivalidades mais conhecidas da política sul-mato-grossense. Desta vez, depois de duas derrotas anteriores, Zeca terminou à frente de Puccinelli — mas os dois voltarão a ocupar, lado a lado, uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.