(Foto: Divulgação/Articulista)

Associação de Amparo à Maternidade e a Infância (Maternidade Cândido Mariano) foi fundada em 1938, em Campo Grande

Aqui, nasce o Futuro!

*Rosildo Barcellos

Há muito tempo eu queria contar essa história que na verdade é uma saga que demonstra que é possível poder público e população unirem-se em prol de um ideal. Minha última visita foi em 2015 quando fui recebido pelo Dr. Alfeu Duarte de Souza. Na época estavam sendo comprados o reanimador manual de silicone, balança digital pediátrica, mocho giratório em inox, estetoscópio duosson. A Associação de Amparo à Maternidade e a Infância – AAMI, entidade beneficente de Assistência Social da Área da Saúde, foi fundada em 21 de janeiro de 1938, na cidade da Campo Grande, antigo estado de Mato Grosso. Se constitui em uma entidade de direito privado, sob a forma de associação sem fins lucrativos, reconhecida como de Utilidade Pública Federal, Estadual e Municipal. Foi no começo da década de 1930 que surgiu o desejo, entre um grupo de mulheres campo-grandenses junto com os médicos da cidade, de criar um ambulatório e um lactário para atendimento da população. Mas só no ano de 1937 que essa vontade começou a se tornar realidade, com a criação da “Associação Caritativa de Mulheres Campo-grandenses” (ACMC). No ano de 1938, na cidade de Campo Grande, em franco desenvolvimento, iniciava a construção da Igreja São José e se contratava o Escritório Saturnino de Brito do Rio de Janeiro para elaborar o 1º Plano de Saneamento e Drenagem da cidade que tinha na época em torno de 30.000 habitantes.

A preocupação com a saúde era um ponto crucial para a cidade, pois aqui chegavam famílias e comerciantes para se instalarem e grandes contingentes populacionais exigiram uma infraestrutura local melhor. Em 21 de janeiro 1938, o então prefeito da Capital, Dr. Eduardo Olímpio Machado, convocou uma reunião no Rádio Clube de Campo Grande, para, enfim, fundar a Associação de Amparo à Maternidade e à Infância (AAMI), e no dia 24 de janeiro, três dias depois, criar a primeira diretoria, presidida pela então primeira-dama da cidade, Dona Elvira Coelho Machado. A diretoria tomou posse a 07 de fevereiro de 1938 em sessão solene realizada no Cine Alhambra. Em 11 de agosto de 1938 a recém-criada Maternidade, recebeu uma verba municipal de 300 mil réis. Com este capital, deu-se início aos trabalhos de implantação dos serviços da AAMI, que vinha minimizar um quadro de saúde em que a cidade não dispunha de abertura e tranquilidade, quando se tratava de atenção à saúde das gestantes e dos recém-nascidos.

O primeiro trabalho foi a instalação de um posto de puericultura, um lactário e um ambulatório maternal na Loja Maçônica Oriente à avenida Calógeras, onde eram atendidas gestantes e crianças até 10 anos de idade. Em 8 de janeiro de 1939, a entidade comprou por cinquenta contos de réis, uma casa na rua 15 de Novembro, esquina com a rua 14 de Julho (atual Lojas Americanas) onde instalou todos os seus trabalhos, que tinham como diretor clínico o dr. Vespasiano Martins auxiliado por seus colegas Walfrido Arruda, Alcindo de Almeida, Arthur Vasconcelos e Fernando Correa da Costa.

Em 21 de janeiro de 1941 a AAMI lança a pedra fundamental da Maternidade Cândido Mariano, tendo sua presidente Elvira Coelho Machado, justificado a escolha da data:Escolhemos hoje para o lançamento da pedra fundamental da AAMI – Maternidade Cândido Mariano, por ser a data natalícia do presidente Getúlio Vargas, inspirado animador das instituições de amparo à maternidade e à infância de nosso país. A 21 de julho de 1944, dona Elvira e demais diretores da associação, finalmente entregavam à população a Maternidade Cândido Mariano, a primeira de Campo Grande. Desde então, esta Maternidade tem prestado inúmeros serviços à população sul-mato-grossense, constituindo-se hoje em referência estadual para partos e terapia

intensiva neonatal. Aproveito para lembrar que a maternidade ainda precisa do apoio da população e ressalto um benefício que contempla as mulheres servidoras estaduais, doadoras de leite materno, por meio do Decreto Estadual 11.694/2004. A determinação concede abono de três dias às trabalhadoras que doarem leite humano de três a cinco meses, cinco dias de abono às que doarem por até oito meses, e sete dias pela doação por nove meses. Apesar da equipe de nutrição neonatal da Maternidade Cândido Mariano ter um treinamento voltado às lactaristas sobre a forma correta no preparo das fórmulas infantis, na ausência do leite humano; é interessante que seja divulgado esta legislação.

As ampliações e benfeitorias realizadas por diversas administrações, tornaram a Maternidade Cândido Mariano um serviço de excelência no Estado de Mato Grosso do Sul, que atende além da macrorregião de saúde de Campo Grande, aos municípios do interior, sendo estes responsáveis por 16% de suas internações da Maternidade. Voltei em 2019 para realizar o curso de assepsia para fotógrafos especializados em partos ministrada pelo Daniel Alves, que trabalha no centro cirúrgico do Hospital Regional. Outrossim, quero ressaltar e aproveitar e deixar neste texto uma homenagem ao Dr. Cezar Luiz Galhardo, meu inspirador na área da saúde e a quem eu dedico a Comenda “Vespasiano Martins” que muito me orgulha em ter na minha parede de homenagens. Dr. Cezar com seu amplo leque de diplomacia, auxiliou nas conquistas alcançadas nos anos que permaneceu à frente da direção da Maternidade Cândido Mariano. Que com abertura e diálogo angariou parceiros que possibilitaram realizar melhorias nos processos físicos, financeiros e assistenciais da instituição; deixando a batuta para o atual presidente da instituição, o Dr. Daniel Miranda, a quem desejo sabedoria divina para continuar esta árdua missão haja vista que essa instituição representa a história de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul, e representa a vida de várias gerações a exemplo do Ginecologista Orcidney Aparecido Bissoli, que atuou desde 1966 naquele espaço, não se constituindo apenas em um “fallow up” de recém-nascidos e sim uma ambiente de alegria…um entreposto da vida.

*Articulista

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