Atlas Ambiental de Bonito e Jardim será produzido pelo laboratório de Geografia da UFGD

712
magem produzida pela equipe do Atlas Ambiental na área do Rio da Prata

O Laboratório de Geografia Física e o Programa de Pós-graduação em Geografia da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) estão executando o projeto “Atlas Ambiental das Bacias Hidrográficas Cênicas: Bonito e Jardim – Mato Grosso do Sul”, que irá  diagnosticar e provocar reflexões sobre os riscos e problemas ambientais nesta paisagem que encanta milhares de pessoas todos os anos com seus rios de águas transparentes. Veja vídeo abaixo, sobre a primeira saída a campo da equipe do Atlas Ambiental

Tanto as águas cristalinas quanto as terras férteis são resultado do solo rico em calcário e essa característica das bacias hidrográficas cársticas atrai a agricultura, o turismo e a mineração, atividades econômicas importantes para o estado, mas que, quando em desacordo com a legislação, criam vários prejuízos ambientais a esse sistema tão complexo e frágil, formado por grutas, dutos, galerias subterrâneas, abismos, dolinas e grandes pontos de encontro de Mata Atlântica e Cerrado, vinculados à Serra da Bodoquena.

O desmatamento, a pressão da agropecuária, os desvios de água dos mananciais, as erosões provocadas pela falta de manejo correto das terras e a falta de um sistema de drenagem nas estradas não pavimentadas estão entre os principais problemas que podem diminuir o potencial geoecológico da região e alterar de forma recorrente as águas, inclusive causando seu turvamento. 

Em determinado período do ano, após as chuvas, o que era transparente como um aquário natural, fica turvo com a entrada dos resíduos, provocando o cancelamento de passeios turísticos e contaminando a fauna e a flora aquáticas. Sem medidas de prevenção, o futuro dos rios Formoso e da Prata pode ser o mesmo do Rio Verde, que de verde virou marrom.

Aspecto propositivo

Nesta linha, o Atlas Ambiental também terá um aspecto propositivo, para que a ciência ajude a evitar o desequilíbrio dessas bacias hidrográficas cársticas. A produção do Atlas começou em setembro do ano passado e a previsão é de que seja concluída em 2024. No entanto, no decorrer do projeto, os resultados, vídeos e tutoriais serão disponibilizados à sociedade e aos órgãos oficiais para ampliar as pesquisas e estimular a criação de políticas públicas.

O vídeo sobre a primeira saída a campo da equipe do Atlas Ambiental está publicado no canal do Laboratório no YouTube, com imagens de drone do Rio Verde, Rio da Prata e Rio Miranda e observações dos pesquisadores Rafael Brugnolli Medeiros, que é professor visitante do Programa de Pós-graduação em Geografia da UFGD, e Charlei Aparecido da Silva, que é docente da Faculdade de Ciências Humanas (FCH) e coordenador do Laboratório de Geografia Física. 

Eles expressam a preocupação com a descontinuidade das matas nativas, a pressão da soja nos limites das áreas de preservação ambiental da Serra da Bodoquena e as lavouras muito próximas dos banhados dos rios da Prata e Formoso (brejões). Os próximos dias de campo estão previstos para o final do mês de junho (Rio do Peixe) e de agosto (Rio Formoso).

INOVAÇÃO

No término do projeto, os dados poderão ser acessados de três maneiras: via Google Maps, o que contribuirá para sua utilização e visualização em outras saídas de campo; via WebGis, que é um site onde todos os dados produzidos pela pesquisa poderão ser acessados, através dos arquivos vetoriais e matriciais gerados; e por meio de QRCodes que levarão ao canal do YouTube e ao drive do banco de dados do projeto. 

Além do pioneirismo na elaboração de vídeos e publicação no YouTube, a possibilidade de várias linguagens de dados que o Atlas Ambiental proporcionará, será algo inovador na cartografia. De acordo com o professor Charlei da Silva, o projeto do Atlas Ambiental é único por gerar um atlas multirreferencial em escala em nível de semidetalhe e com imagens atualizadas, o que será muito útil para gestão territorial dos municípios, já que a referência na cartografia na forma de Atlas de Mato Grosso do Sul é da década de 90.

A partir dos mapeamentos e levantamentos realizados, o Atlas poderá ser orientador de atividades de planejamento e gestão ambiental, diagnosticar a situação geoecológica das paisagens e proporcionar informações à comunidade local que podem promover soluções permeando a sustentabilidade dos geossistemas cársticos e ser utilizadas por professores, entidades ambientais e como meio de educação entre os cidadãos.

Fonte: Jornalismo ACS/UFGD

 ufgd
Imagem produzida pela equipe do Atlas na área Rio Formoso