Com previsão de retorno dos campeonatos em julho, clube retomou treinos presenciais adequando atividades em grupos

13/06/2020 13h20
Por: ND MAIS

Os jogadores do JEC Futsal estão acostumados com casa cheia, fumaça colorida, bandeiras e muito barulho no Centreventos Cau Hansen. A torcida tricolor é apaixonada e já deu provas do apoio incondicional ao clube, mas o encontro de time e torcedores em jogos oficiais não acontece há mais de seis meses e não tem data para voltar a acontecer. Embora a volta do futebol já tenha data definida, a do futsal ainda não foi divulgada, apesar da sinalização para retomada no mês de julho.

Com a expectativa de rolar a bola, mesmo sem torcida, o Tricolor retomou às atividades presenciais nas últimas semanas depois de mais de dois meses de atividades online. Apesar do barulho dos tênis na quadra, o cenário é bem diferente do habitual. Os jogadores não chegam mais juntos, as atividades são limitadas e os sorrisos de brincadeira a cada chute longe do gol continuam escondidos pelas máscaras. As máscaras, aliás, foram eleitas entre os maiores desafios e dificuldades desse novo contexto de treinos.

Depois de dois meses de treinos online com cargas reduzidas e limitações de estrutura e condicionamento, os jogadores voltaram a treinar, mas desta vez em grupos limitados e separados, o que também prejudica o desenvolvimento técnico e tático da equipe.

O desafio de montar um plano de treinos que respeitasse o protocolo de segurança ao mesmo tempo que pudesse dar a oportunidade aos atletas de retomar as atividades em quadra gradativamente para evitar lesões ficou a cargo da comissão técnica.

O preparador físico João Romano explica que o planejamento foi feito, em primeiro lugar, pensando em adaptar as atividades no espaço rotineiro do Centreventos, que possui mais recursos, porém, voltando o olhar aos grupos de trabalho reduzidos. “Tivemos que adaptar sempre olhando para a ciência, para evitar lesões. Então, planejamos semanas com volumes progressivos e cuidando da intensidade neste começo”, diz.

Ele conta que, desde o retorno às atividades presenciais, os trabalhos com bola foram introduzidos para o ganho físico, tático e técnico inevitavelmente perdidos em uma parada de mais de dois meses depois de uma pré-temporada forte. A partir da terceira semana, os trabalhos são mais direcionados e específicos, explica.

O grande desafio, ressalta Romano, é o grupo reduzido de atletas. “Temos que pensar na estrutura total e quando trabalhamos com poucas pessoas o treino tende a se tornar físico e nós precisamos trabalhar físico e técnico alinhados”, diz.

O preparador conta, ainda, que o maior prejuízo está na construção de cargas, que foi reduzida a cerca de 50% e, além disso, a limitação para trabalhos específicos. “A grande problemática é que não conseguimos fazer coisas específicas, então torna-se um grande desafio achar o momento certo de fazer aquilo que parece com o jogo”, explica.

Para o técnico Daniel Junior, um dos grandes desafios é criar exercícios que motivem os atletas, levando em consideração que a limitação acaba “simplificando” os trabalhos que podem ser desenvolvidos. “Estamos alcançando os objetivos do momento, que são o restabelecimento técnico e o recondicionamento físico”, fala.

Nesta terceira semana, explica Daniel, a comissão começou a aumentar as cargas técnicas e táticas e, ainda, o fortalecimento físico para evitar lesões na retomada das competições. O maior prejuízo desse tempo ‘parado’, enfatiza o técnico, é a perda de massa magra. “Conseguimos manter os índices de percentual de gordura dentro da normalidade. A maior perda foi a massa magra, que é uma questão biológica mesmo”, explica.

Os treinos estão acontecendo em grupos limitados no Centreventos Cau Hansen e períodos de trabalho na academia.

“É difícil até acertar o gol no começo”

Depois de mais de dois meses treinando em casa, a volta para a quadra está sendo sentida pelo capitão Xuxa. Ele conta que, apesar de tentar manter a rotina de treinos repassados pelo preparador João Romano durante a parada, o retorno à quadra é “pesado”.

O ala elege sem hesitar a maior dificuldade: a máscara. “O maior empecilho é a máscara, nos sentimos um pouco ofegante no treino, mas é válido principalmente por voltar a treinar presencial, com poucos jogadores, mas é importante prezar pela nossa segurança. É importante passar por esse processo e esperamos que logo volte ao normal, mas por enquanto é importante usar a máscara e tudo certinho”, diz.

Xuxa ressalta que as primeiras semanas de retomada dos treinos em quadra são “complicadas”, especialmente do trabalho com bola, paralisado ainda na pré-temporada. “Ficamos dois meses sem tocar na bola, então você perde um pouco a noção de como entrar pisando em uma bola, em como chutar. É difícil até acertar o gol no começo. Até brinquei com os outros jogadores, dei três chutes e errei os três, 100% de aproveitamento”, brinca.

Depois de ter que se adaptar a uma rotina em casa, os atletas precisaram voltar à rotina de treino no Centreventos e, para o capitão, foi um alívio. “Essa rotina de sair cedo, vir treinar, voltar para casa quase na hora do almoço, então, já passou uma parte do tempo. Quando falaram que voltaríamos, fiquei muito feliz, foi um alívio retornar aos treinos mesmo com algumas limitações”, fala.

Para Xuxa, o maior prejuízo deste processo, foi o calendário de competições. O futsal sequer tinha iniciado as competições quando a pandemia obrigou a paralisação das atividades. “Eu acredito que vamos perder em número de jogos porque o calendário apertou, de um ano diminuiu para seis meses. O prejuízo está sendo grande para todas as equipes, então, esperamos voltar o mais rápido possível para diminuir esse prejuízo”, avalia.

“Peço que olhem com mais carinho para o nosso esporte”
A paralisação das atividades e dos treinos presenciais trouxe alguns “benefícios” para o pivô tricolor. Dieguinho viajou para Minas Gerais, onde nasceu e tem residência e conseguiu passar mais tempo com a companheira, que também é atleta e também teve a rotina alterada com a pandemia.

Dieguinho pede mais atenção ao esporte e às competições – Foto: Vitor Kortmann/JEC Futsal

Ele conta que até novas experiências puderam ser vividas neste tempo. “Passei um tempo na fazenda da família, então comecei a acordar mais cedo. Nunca tinha andado de cavalo, andei, e fui me adaptando às novas rotinas”, conta.

De volta à Joinville e pisando novamente na quadra, mais uma vez o camisa 89 ressalta o bom protocolo feito pela equipe para garantir a segurança dos atletas e, assim como Xuxa, elege a principal dificuldade, também a máscara. “Para mim, a maior dificuldade é o uso da máscara, dificulta muito a respiração, mas temos que nos adaptar, esquecer um pouco e fazer o que tem que ser feito”, fala.

A expectativa é de que o Estadual comece em julho e, para Dieguinho, voltar à quadra e ao trabalho em grupo, mesmo que com limitações, é voltar um pouco para a rotina. “Ter a oportunidade de conversar, mesmo que de longe, para mim é muito melhor porque eu gosto de estar com as pessoas, de me comunicar, de brincar. Isso faz toda a diferença, isso aqui me deixa feliz”, salienta.

O pedido do pivô é para que a atenção das autoridades e federações se volta para o futsal. “Eu peço para que olhem com mais carinho para o nosso esporte. Nós dependemos disso, é o que coloca comida dentro da nossa casa, o que sustenta nossos filhos. Então, peço que olhem com mais carinho porque nós precisamos voltar, com todos os cuidados, mas que possamos voltar a fazer o que amamos”, diz.

“O meu grande desafio é conseguir voltar o mais rápido possível da lesão no joelho”
A torcida tricolor não está acostumada a ver o goleiro Willian ser substituído por lesão, mas a imagem da saída do goleiro na final do Campeonato Catarinense do ano passado ainda está bem viva na memória dos torcedores e, para ele, mais ainda.

Depois de uma boa pré-temporada de fortalecimento muscular, a paralisação acabou interrompendo o processo de recuperação de Willian, que vê esse como seu maior desafio nessa retomada às atividades. “Esse é o grande problema que eu venho enfrentando, mas logo vai ser resolvido. O meu grande desafio vai ser conseguir voltar o mais rápido possível dessa lesão e dessa dor incômoda que eu tenho no joelho”, diz.

Divulgação

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