Audiência para criar Refúgio de Vida Silvestre no Delta do Salobra é cancelada após protestos

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Foto: Reprodução

A audiência pública que discutiria a criação do Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Delta do Salobra, entre os municípios de Bodoquena e Miranda, foi cancelada nesta quarta-feira (17) por falta de segurança.

Manifestantes, liderados por representantes do setor rural, ocuparam o local, gritaram ofensas e impediram a equipe do ICMBio (Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade) de apresentar a proposta, além de intimidar moradores que queriam participar da reunião.

O que está em jogo

A área em questão abriga o Rio Salobra, conhecido por suas águas cristalinas de cor verde-esmeralda, e está localizada numa zona de transição entre Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Chaco — quatro biomas com relevância ambiental internacional. Cerca de 80% do território é considerado prioritário para conservação pelo Ministério do Meio Ambiente.

A criação da unidade de conservação federal daria proteção legal à região, que já é parcialmente administrada pelo ICMBio dentro do Parque Nacional da Serra da Bodoquena. Defensores da proposta argumentam que a medida fortalece o ecoturismo, preserva corredores ecológicos e pode gerar renda por meio de programas como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).

Segundo o Instituto Delta do Salobra (IDS), grande parte da área tem baixa aptidão para agropecuária e a criação da unidade é compatível com atividades rurais sustentáveis.

Por que houve o protesto

Audiência para criar Refúgio de Vida Silvestre no Delta do Salobra é cancelada após protestos
Foto; Reprodução

O movimento contrário é liderado por sindicatos e proprietários rurais que alegam, conforme o IDS, receio de restrições ao uso da terra, perda de propriedade ou limitações econômicas — pontos que, segundo os defensores do projeto, não são verdadeiros e seriam fruto de desinformação.

Durante o encontro, manifestantes gritaram palavras de ordem contra o ICMBio e impediram que a reunião fosse iniciada. Pessoas que queriam ouvir e debater a proposta — incluindo idosos, mulheres e crianças — se sentiram amedrontadas e deixaram o auditório.

A Polícia Militar e a Prefeitura confirmaram a agressividade do grupo e aconselharam o cancelamento por risco à integridade física. Não há uma nota data definida para a nova audiência.

Posições

  • ICMBio: Lamentou o ocorrido em nota, classificou como ato que cerceia a democracia e o direito à informação. Afirmou que a audiência é etapa obrigatória e que nova data será definida quando houver garantia de segurança.
  • Instituto Delta do Salobra: Disse que o protesto foi uma obstrução truculenta, motivada por informações falsas, e que não vai desistir da proposta. Defendeu que a conservação traz desenvolvimento e valorização para a região.
  • Sindicato Rural: Procurado pela reportagem, não se manifestou até o momento.

O ICMBio informou, ainda, que vai aguardar condições adequadas para retomar o diálogo, essencial para formalizar a unidade de conservação e garantir proteção permanente a um dos ecossistemas mais ricos de Mato Grosso do Sul.