Avanço da direita na América do Sul pode influenciar eleição brasileira de 2026, dizem analistas

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(Foto: Reprodução)

Mudança no cenário político regional deve reforçar debates sobre segurança, economia e política externa na campanha

A mudança no equilíbrio político da América do Sul, com o avanço de governos e candidatos de direita e centro-direita, deve entrar no debate eleitoral brasileiro de 2026, na avaliação de especialistas. O movimento ganhou novos capítulos com as recentes mudanças políticas no Peru e na Colômbia e pode ser explorado pelos candidatos brasileiros como parte de uma transformação mais ampla na região.

O cenário sul-americano é diferente daquele observado nas eleições brasileiras de 2022, quando governos de esquerda tinham maior presença entre os países do continente. Atualmente, segundo o levantamento apresentado pelos especialistas, a direita governa sete países sul-americanos, enquanto a esquerda está no comando de outros cinco.

Entre os temas que impulsionam o crescimento de candidaturas conservadoras estão segurança pública, economia e política externa. Para analistas, a percepção de aumento da criminalidade e o desgaste de governos de esquerda ajudam a explicar a mudança no comportamento eleitoral em países vizinhos.

Segurança pública ganha espaço

Para o cientista político Leandro Gabiati, diretor da consultoria Dominium, a segurança pública é um dos principais fatores por trás do crescimento de candidaturas de direita na região.

Segundo ele, nomes conservadores têm apresentado propostas mais duras para enfrentar a criminalidade, transformando o tema em uma das principais bandeiras eleitorais.

A avaliação é que essa agenda pode encontrar espaço também na disputa brasileira, especialmente entre candidatos de direita e centro-direita.

Gabiati, porém, ressalta que a economia deve continuar entre os principais fatores capazes de influenciar a decisão dos eleitores brasileiros.

Argentina de Milei mudou o cenário regional

A eleição de Javier Milei na Argentina também é apontada como um dos acontecimentos que contribuíram para alterar o equilíbrio político do continente.

Para a professora de Relações Internacionais e Economia da PUC-PR Ludmila Culpi, a vitória de Milei e a eleição de outros líderes liberais-conservadores tornaram mais evidente a mudança no cenário político sul-americano.

Na avaliação da especialista, o novo quadro passou a ser observado também pelo mercado financeiro internacional e pode criar uma espécie de referência regional para candidatos que defendem posições semelhantes.

Reflexos na eleição brasileira

No Brasil, candidatos como Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema podem utilizar a mudança política nos países vizinhos para sustentar o discurso de que o país acompanha uma tendência regional de fortalecimento da direita e da centro-direita.

A estratégia também pode aproximar o debate eleitoral brasileiro de discussões sobre as relações com governos como os dos Estados Unidos e da Argentina.

A política externa, no entanto, não deve substituir os assuntos tradicionalmente considerados prioritários pelo eleitor brasileiro.

Questões como inflação, emprego, renda, saúde, segurança pública e condições de vida continuam tendo peso importante na definição das escolhas eleitorais.

Um novo mapa político na região

A transformação política da América do Sul ocorre depois de um período em que governos de esquerda ganharam espaço em diferentes países do continente.

A eleição de Milei na Argentina e as mudanças políticas no Peru e na Colômbia reforçam a percepção de um continente mais dividido entre diferentes correntes ideológicas.

Para os especialistas, o resultado das eleições brasileiras de 2026 dependerá, entretanto, principalmente das condições internas do país. A conjuntura regional pode influenciar o discurso dos candidatos e a forma como temas como segurança, economia e política externa serão apresentados aos eleitores, mas não necessariamente determinará o resultado das urnas.