Avião apreendido em operação contra tráfico de drogas vai a leilão em Campo Grande

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(Foto: Divulgação)

Bimotor interceptado pela FAB em 2022 recebe lances a partir de R$ 275 mil e pode ser visitado no Aeroporto Teruel

Uma aeronave que já esteve no centro de uma investigação sobre tráfico internacional de drogas agora está disponível para compra em leilão público. O bimotor apreendido em Mato Grosso do Sul após ser interceptado pela Força Aérea Brasileira (FAB), em 2022, integra um certame promovido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), com lance inicial de R$ 275 mil.

O avião modelo EMB-810 Seneca II, de prefixo PT-WKZ, está exposto no Aeroporto Teruel, em Campo Grande, e pode receber ofertas até o dia 2 de julho. Até a noite desta segunda-feira (22), o maior lance registrado era de R$ 281 mil, valor abaixo da avaliação oficial de R$ 460 mil.

Fabricada pela empresa Piper Aircraft Corporation, a aeronave poderá ser visitada por interessados nos dias 23 e 24 de junho, das 10h às 17h. O encerramento da disputa está marcado para as 10h do dia 2 de julho.

Além do bimotor, o leilão inclui um helicóptero Sikorsky S-76C, prefixo PR-LCD, pertencente à empresa Helicon Táxi Aéreo Ltda. Avaliado em R$ 700 mil, o equipamento já havia recebido oferta de R$ 573 mil até a última atualização. A aeronave está disponível para visitação no Hangar do Estado, no Aeroporto Santa Maria, também em Campo Grande.

Segundo a Senad, os recursos obtidos com a venda dos bens apreendidos são destinados ao financiamento de ações de combate ao tráfico de drogas e à gestão de ativos confiscados em operações federais.

Interceptação e investigação

O avião colocado à venda foi apreendido em dezembro de 2022 durante uma operação da FAB voltada ao combate ao tráfico de drogas. Na ocasião, a aeronave foi acompanhada por militares e acabou pousando em um aeroclube de Fátima do Sul, após sair de Campo Grande.

De acordo com as investigações, o piloto pretendia seguir até a região de fronteira com o Paraguai para embarcar cerca de 300 quilos de cocaína que seriam transportados para o interior de São Paulo. O carregamento, porém, não chegou a ser realizado.

Em depoimento, o piloto afirmou que desistiu da operação após receber a informação de que a movimentação já estaria sendo monitorada pelas autoridades. Durante a abordagem, os agentes verificaram ainda que suas habilitações aeronáuticas estavam vencidas desde 2018 e que a aeronave possuía restrições para operação. Também foram encontradas pequenas porções de maconha em sua posse.

Condenações

A Justiça Federal condenou o piloto, em novembro de 2023, a 11 anos de prisão pela tentativa de transporte da droga. Na mesma ação, Gabriel Gonçalves Bispo foi sentenciado a 8 anos e 2 meses de reclusão.

Segundo a investigação, ele teria participado da aquisição do avião e do registro da aeronave em nome de uma pessoa utilizada como laranja no esquema criminoso.

O nome dele voltou ao noticiário em abril deste ano, quando morreu após a queda de uma aeronave na zona rural de Altair, no interior de São Paulo. As autoridades apontavam sua ligação com a estrutura utilizada no caso do bimotor agora levado a leilão.