Bancada Federal feminina sobe 18% com jovem de MS e três Trans eleitas

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(Foto: divulgação Agência Câmara)

As mulheres são 52% do eleitorado do Brasil, tiveram quatro candidatas a presidência da República, e apesar de ainda não o ideal, conseguiram uma nova e maior bancada feminina na Câmara dos Deputados. O parlamento nacional será composto por 91 mulheres a partir do ano que vem, contabilizando no pleito eleitoral deste domingo (2), um aumento de 18% das vagas. A bancada maior, incluindo uma jovem de Mato Grosso do Sul e três representantes Trans, vem ante a que foi eleita em 2018, de 77 mulheres.

O Mato Grosso do Sul contribuiu para este aumento, com eleição de uma jovem, a vereadora de Campo Grande, Camila Jara (PT). Contudo, MS diminuirá a colocação de mulher, pois deixará de ter duas mulheres que estão na atual legislatura. Rose Modesto (União Brasil), que se candidatou ao Governo do Estado, e, Bia Cavassa (PSDB), que não se reelegeu ou se elegeu, pois ela era suplente e ocupou cargo por tempo que titular Tereza Cristina era Ministra.

O aumento traz ainda que candidatas mulheres foram as mais votadas em oito estados brasileiros: Bia Kicis (PL-DF), Caroline de Toni (PL-SC), Natália Bonavides (PT-RN), Yandra de André (União-SE), Silvye Alves (União-GO), Dra Alessandra Haber (MDB-PA), Socorro Neri (PP-AC), Detinha (PL-MA).

PL e a federação liderada pelo PT são os partidos com mais mulheres e também as duas maiores bancadas da Câmara dos Deputados. A federação lidera na representação feminina com 21 deputadas (17 do PT e 3 do PCdoB). Já o PL elegeu 17 deputadas federais.

O PSD teve um aumento de 300% no número de mulheres eleitas: de uma representante passará a ter quatro deputadas na sua bancada.

Deputadas Trans

A bancada feminina terá, pela primeira vez na história da Câmara dos Deputados, duas deputadas trans: Erika Hilton (Psol-SP) e Duda Salabert (PDT-MG). Bem como haverá outro Tran, mais um homem trans, Leo Kret Souza Santos, da Bahia.

As duas já passaram por cargos dos legislativos locais antes de chegar à Câmara dos Deputados, com votações recorde em seus estados.

Sub-representação

Apesar do aumento do número de deputadas, os 18% ainda apontam uma sub-representação feminina no Parlamento em relação aos dados globais. A participação das mulheres nos parlamentos é de 26,4% em média, segundo a União Interparlamentar (UIP), organização global que reúne 193 países. Se fosse seguir esse padrão, a bancada feminina na Câmara seria de 135 deputadas.

Ranking da mesma instituição coloca o Brasil no 146° lugar na participação de mulheres entre os 193 países analisados. Na América Latina, Cuba e México tem melhores desempenhos, com 53,4% e 50% dos assentos parlamentares ocupados por mulheres. Os dados são de agosto de 2022.

Incentivos Eleitorais

A legislação eleitoral brasileira traz incentivos às candidaturas femininas. Os partidos devem indicar 30% de mulheres para candidaturas à Câmara dos Deputados e as candidaturas femininas tem direito à 30% dos recursos do fundo eleitoral e 30% do horário eleitoral de rádio e TV.

Além disso, a partir deste ano, os votos dados a candidatas mulheres para deputada contam em dobro para a distribuição do fundo partidário e do tempo de TV dos partidos.

Esses incentivos, no entanto, podem ser distorcidos nas chamadas “candidaturas-laranja”, que são candidaturas de fachada para cumprir a regra e desviar os recursos. Trata-se de uma infração que pode gerar a cassação total da chapa do partido segundo entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Eleitorado feminino

Apesar da pouca representação em esferas de poder, as mulheres são a maioria das pessoas aptas a votar nessas eleições (52,65%). A maior parte das eleitoras brasileiras (5,33%) está na faixa que vai dos 35 aos 39 anos, seguida por mulheres que têm entre 40 e 44 anos (5,32%) e pelas que possuem de 25 a 29 anos (5,20%). Entre as eleitoras, há 87.400 mulheres com 100 anos ou mais.

O número de eleitoras também é maioria no exterior. Das 697.078 pessoas que moram fora do País e se habilitaram para votar para o cargo de presidente da República, 408.055 (59%) são mulheres e 289.023 (41%) são homens.

Com informações Agência Câmara