(Foto: Contábeis)

Gil do Vigor não venceu o reality, mas com seu carisma saiu da casa como um dos campeões de popularidade e apresentou à parcela importante da população o Open Banking

O sucesso e a repercussão do Big Brother Brasil já faz parte da agenda do país. A grande novidade, porém, é o fato de o reality passar a nortear o sistema financeiro, apresentando à parcela importante da população o Open Banking – uma iniciativa inovadora do Banco Central para promover a concorrência e aumentar a oferta de produtos e serviços financeiros aos brasileiros. Com a plataforma Open Banking o usuário poderá compartilhar seus dados financeiros de forma segura para receber ofertas de qualquer instituição autorizada e optar pelas melhores condições.

Gil do Vigor não venceu o reality, mas com seu carisma saiu da casa como um dos campeões de popularidade. Doutorando em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), chegou a confidenciar, em um determinado momento, ter o sonho de ser presidente do Banco Central.

O ex-BBB levantou a bola e o Santander cortou, acertando em cheio na escolha de seu garoto propaganda para a campanha Open Banking, iniciada no intervalo do Fantástico, da TV Globo, em 23 de maio. O comercial de 45 segundos rendeu 20 mil cadastros em 12 horas na página de Open Banking do Santander, além do marketing e da mídia espontânea que o banco recebeu.

No monitoramento digital realizado pela agência NCC1701, as menções ao Open Banking explodiram. Foram 90% de citações positivas e outras 10% com questionamentos, dúvidas e matérias sobre o tema.

Em 24 horas, entre os dias 23 e 24 de maio, foram captadas pela ferramenta Torabit 7.435 menções do termo “Open Banking”, 5.843 “Santander_br” com 6.359 retuites na publicação do banco no microblog. O perfil de Gil no Twitter também recebeu 1.176 citações. Os termos associados gil+open banking tiveram 5.824 referências e o inconfundível “Brasiiiil” completou a surra de alusões, com 5.647.

Grandes influenciadores não vendem apenas uma marca ou produto. Pautam a rede e conseguem levar temas importantes para perfis de público que nunca haviam conversado sobre esses assuntos antes. Em sua primeira grande ação de publicidade, Gil mostrou a que veio.

Utilizando o Google Trends, analisamos as buscas relacionadas ao termo “Open Banking” e encontramos um crescimento completamente fora da média na semana da ação, que se tornou o maior pico de buscas sobre “Open Banking” até hoje no Brasil. O segundo maior pico, cinco vezes menor, se deu no lançamento da primeira fase do Open Banking no Brasil, na primeira semana de fevereiro.

A efetividade da ação do Santander é comprovada quando observamos os assuntos relacionados no Google ao termo “Open banking”, tendo Santander e Open Banking Santander repentinos aumentos, levando-os a ocupar a primeira posição. Nas impressões de sites relacionados ao termo Open Banking, o crescimento foi de 1.300%, acompanhado de uma expansão de cliques superior a 500%.

Gil não gerou apenas cadastros e fez barulho para o Santander.  Ele chamou a atenção da população para um tema financeiro importante para os brasileiros, mas que até então era restrito aos nichos técnicos de economia, finanças e educação financeira.

A parceria Gil + Santander saiu na frente para mobilizar o olhar dos brasileiros para o Open Banking, uma iniciativa capaz de transformar a relação das pessoas com o setor financeiro.

Após a implementação, o Open Banking permitirá ao brasileiro a escolha de compartilhar seus dados bancários com a instituição financeira cadastrada que desejar, aumentando a liberdade de escolha e a concorrência de mercado, o que pode possibilitar melhores taxas e oportunidades para todos.

Em sua primeira fase de execução, na qual as instituições participantes padronizam o modelo de informações para o compartilhamento, o Open Banking deve gerar uma segunda grande revolução na abertura e no sistema financeiro brasileiro, menos de um ano após o Pix – o serviço que já virou um hábito enraizado na vida de muitos brasileiros foi liberado oficialmente no dia 16 de novembro do ano passado, ou seja, há apenas sete meses.

Um assunto tão importante como o Open Banking não pode ficar restrito apenas a especialistas. Gil do Vigor e Santander contribuíram para que o debate saísse dos escritórios e das reuniões por Zoom dos grandes bancos e chegasse até o Twitter, à padaria da esquina da internet, e até mesmo à padaria da sua esquina, aquela de verdade.

Fica a lição não só para outros bancos, mas para todo o setor financeiro. Trazer influenciadores e campanhas leves pode ser o caminho para uma grande e necessária quebra de tabu: precisamos falar mais sobre dinheiro, finanças e educação financeira.  Quanto mais brasileiros envolvidos no debate melhor.

Por Sergio Silva – professor da FAAP e Luiz Gallo – estrategista digital

Comentários