
Oitiva será realizada na residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar humanitária, em Brasília
Uma arma registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro levou a Polícia Civil do Distrito Federal a marcar um novo depoimento do ex-chefe do Executivo. A oitiva está prevista para esta terça-feira (23) e ocorrerá na residência onde ele cumpre prisão domiciliar humanitária, em Brasília.
A investigação foi aberta após o armamento ser encontrado dentro de um veículo conduzido por um militar do Exército durante uma blitz de trânsito realizada pela Polícia Militar do Distrito Federal na semana passada, em Taguatinga.
De acordo com as informações apuradas pela polícia, o militar, que atua na equipe de segurança de Bolsonaro vinculada ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), portava regularmente sua arma funcional. Durante a fiscalização, porém, os agentes localizaram uma segunda pistola no automóvel.
Ao ser questionado sobre o armamento, o sargento informou que a arma pertencia ao ex-presidente. Segundo seu relato, o equipamento apresentava um defeito mecânico e havia sido retirado da residência de Bolsonaro para passar por manutenção.
Como a documentação da pistola não estava vinculada ao condutor, o militar foi encaminhado à 21ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga Sul, para prestar esclarecimentos. Após o depoimento, ele foi liberado, mas a arma permaneceu apreendida para análise.
Depoimento será realizado em casa
A Polícia Civil marcou o depoimento de Bolsonaro para as 15h desta terça-feira. A oitiva ocorrerá presencialmente na residência do ex-presidente devido às restrições impostas pelo regime de prisão domiciliar, que limita o uso de aparelhos eletrônicos e outros meios de comunicação.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou que a defesa acompanhe o procedimento.
Caso chegou ao STF
Por envolver o ex-presidente, o episódio foi anexado ao processo de execução penal em tramitação no Supremo.
Além de solicitar esclarecimentos de Bolsonaro, Moraes também determinou que a Polícia Militar do Distrito Federal prestasse informações sobre os protocolos de segurança adotados no entorno da residência.
Em resposta, a corporação informou que veículos utilizados por agentes do GSI não passam por inspeção quando acessam a área externa da casa, uma vez que não entram no perímetro interno do imóvel.
Defesa alega falha mecânica
Os advogados de Bolsonaro afirmaram que a arma está regularmente registrada em nome do ex-presidente.
Segundo a defesa, o armamento teria apresentado problemas de funcionamento após uma alteração em seu mecanismo de disparo, realizada sem conhecimento de Bolsonaro. Os advogados sustentam que a modificação foi feita em razão dos medicamentos psiquiátricos utilizados pelo ex-presidente.
Ainda de acordo com a versão apresentada pela defesa, Bolsonaro percebeu que havia uma falha no equipamento, mas não conseguiu identificar sua origem. Por isso, teria entregue a arma ao militar responsável por sua segurança para que o defeito fosse analisado e, se necessário, corrigido.
A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias do transporte do armamento e as informações prestadas pelos envolvidos no caso.













