A Câmara Municipal de Campo Grande recebeu, durante a sessão ordinária desta terça-feira (19), a participação de Valdemar Moraes de Souza, presidente da Associação de Vítimas de Erros Médicos de Campo Grande, que utilizou a Tribuna Participativa para denunciar falhas no sistema público de saúde e cobrar responsabilização no caso do menino João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, que morreu após passar por sete atendimentos médicos entre os dias 2 e 7 de abril. A mãe da criança, Regiane, acompanhou o pronunciamento no plenário da Casa de Leis.
Documentos do Instituto Médico Odontológico Legal apontam que João Guilherme chegou à Santa Casa com um tubo mal fixado, colocado em atendimento anterior. O Samu encontrou a criança em parada cardiorrespiratória e, apesar dos esforços, o menino não resistiu. O representante da associação afirmou que o caso evidencia problemas estruturais da saúde pública municipal, como superlotação das unidades, falta de profissionais, demora por leitos hospitalares e ausência de medicamentos e insumos.
“A morte do João Guilherme não pode ser apenas um número. Precisa ser um grito de alerta para o que acontece na nossa saúde pública. As UPAs viraram enfermaria, com pacientes aguardando até 48 horas por um leito de hospital. Vivemos uma saúde com falta de médicos e profissionais sobrecarregados para atenderem pacientes que aguardam por horas por atendimento”, afirmou.
Valdemar também destacou a situação enfrentada diariamente por famílias que dependem do SUS. “Há falta de remédios, falta de insumos. Famílias deixam as unidades de saúde sem medicamentos. João Guilherme foi vítima dessa estrutura precária. Pedimos a essa Casa de Leis que cobre fiscalização e investimentos para que o caso dessa vítima não seja apenas mais um”, completou.
O presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Neto, manifestou solidariedade à família e destacou o papel do Legislativo no debate das demandas da população. “A Câmara é a sede do debate. É o local onde se recebem as demandas da comunidade. Estamos consternados e somos solidários com a dor que a família passa. A presença deles na Câmara dá sentido a uma luta que busca evitar que o mesmo aconteça com outras famílias. Alguém precisa ser responsabilizado pelo que aconteceu com essa criança e a Secretaria Municipal de Saúde deve respostas ao cidadão”, declarou Papy.
Autor do convite para a participação de Valdemar na sessão, o vereador Junior Coringa ressaltou que a Tribuna Participativa abriu espaço para que a população pudesse relatar as dificuldades enfrentadas no sistema de saúde pública. “Hoje a Casa ouve o relato de uma mãe que perdeu o filho de 9 anos por falta de assistência em saúde. A Associação traz o anseio de todas as pessoas que utilizam o SUS, um sistema que tem sido ingrato para com o povo mais humilde. Que Deus abençoe essa família e essa luta para que os erros médicos não façam mais famílias vítimas”, afirmou Coringa.





















