Governo lança licitação para levar água tratada às aldeias indígenas de Dourados

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(Foto: Saul Schramm)

Projeto de R$ 50 milhões deve beneficiar quase 30 mil moradores das comunidades Jaguapiru e Bororó

Depois de décadas convivendo com falta d’água e abastecimento irregular, moradores das aldeias Jaguapiru e Bororó, na reserva indígena de Dourados, começaram a ver sair do papel um dos maiores projetos de saneamento já voltados às comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul. O Governo do Estado lançou nesta segunda-feira (18) os primeiros editais de licitação para implantação do sistema que promete levar água tratada diretamente às residências de quase 30 mil pessoas.

Os avisos de licitação foram publicados pela Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) e marcam o início das obras de perfuração de poços nas aldeias Jaguapiru e Bororó. A iniciativa faz parte de um projeto maior, com investimento total estimado em R$ 50 milhões.

O contrato para implantação do sistema de abastecimento foi assinado em janeiro de 2026 e prevê uma estrutura completa de captação, armazenamento e distribuição de água tratada para as comunidades indígenas.

Segundo o governo estadual, os dois processos licitatórios terão abertura no dia 3 de junho. Cada um contará com investimento de R$ 4,49 milhões, recursos provenientes do Ministério dos Povos Indígenas por meio de repasses da Caixa Econômica Federal.

A execução das obras ficará sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog).

O vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, afirmou que o projeto representa um avanço social e estrutural para as aldeias. “Levar água de qualidade às aldeias é reduzir desigualdades, promover cidadania e reafirmar que desenvolvimento só faz sentido quando alcança quem mais precisa”, declarou.

Segundo ele, o investimento em saneamento básico é uma das formas mais eficientes de promover saúde pública, dignidade e desenvolvimento social em territórios historicamente afetados pela falta de infraestrutura.

Além da perfuração dos poços, o projeto elaborado pela Sanesul prevê instalação de reservatórios, adutoras e redes de distribuição para garantir fornecimento contínuo e regular de água tratada nas residências indígenas.

As intervenções foram planejadas para atender o crescimento populacional das aldeias até 2033.

O secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara, destacou que a obra representa um marco nas políticas públicas voltadas aos povos originários. “Estamos falando de um projeto completo, que vai da perfuração dos poços à distribuição nas casas. É uma estrutura que garante água de qualidade, com pressão e continuidade”, afirmou.

Já o secretário de Estado de Cidadania, José Francisco Sarmento Nogueira, disse que a iniciativa atende uma demanda histórica das comunidades indígenas sul-mato-grossenses.

“Estamos falando de um investimento essencial para garantir acesso à água potável, promovendo saúde, dignidade e qualidade de vida para milhares de famílias indígenas”, ressaltou. Enquanto o projeto definitivo não é concluído, o governo estadual mantém ações emergenciais de abastecimento nas aldeias. Desde o ano passado, caminhões-pipa abastecem reservatórios e residências afetadas pela falta de água.

O trabalho é realizado pela Defesa Civil em parceria com agentes indígenas de saneamento. Além disso, dois poços emergenciais já foram perfurados, um em cada aldeia, com instalação de reservatórios provisórios.

O diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio, afirmou que a estatal participou diretamente da elaboração técnica do projeto. “Além de participar ativamente das discussões, fizemos todo o estudo técnico e os projetos das obras. Serão investimentos importantes para a comunidade indígena e toda a região”, avaliou.

A expectativa do governo é que as obras avancem ainda neste semestre e garantam, pela primeira vez, abastecimento contínuo de água potável às famílias das aldeias Jaguapiru e Bororó.