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sexta-feira, 19 de julho, 2024
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Câmara reúne especialistas para discutir comportamento suicida e autolesão entre jovens

A Câmara Municipal de Campo Grande promoveu, nesta segunda-feira (17), audiência pública para discutir sobre o comportamento suicida e autolesão entre jovens. O debate foi convocado pela Comissão Permanente de Políticas e Direitos das Mulheres, de Cidadania e de Direitos Humanos, composta pelos vereadores Luiza Ribeiro (presidente), Júnior Coringa (vice), Valdir Gomes, Clodoilson Pires e Gian Sandim.

“Essa audiência vem muito para acolher as demandas que a sociedade leva ao nosso gabinete. O que nos motiva é que o suicídio representa um desafio significativo para a saúde pública, não só em escala local, mas global. Nosso objetivo é iniciar um debate sobre essa questão com foco nos jovens”, disse a vereadora Luiza Ribeiro, proponente do debate.

Dados do SUS (Sistema Único de Saúde) apontam que o suicídio é a segunda principal causa de morte de jovens entre 15 e 19. Os números representam apenas casos notificados pela saúde pública, sugerindo a possibilidade de haver um número ainda maior.

“Diante desse panorama e da interconexão das políticas públicas que compõem a rede de atendimento relacionada a esse tema, o objetivo da convocação desta audiência pública é avaliar como Campo Grande está lidando com o aumento das demandas dentro da juventude e as abordagens adotadas para enfrentar esse desafio”, acrescentou a vereadora.

Para o presidente do Conselho Regional de Psicologia, Walkes Jacques Vargas, o debate é um desafio. “Falar neste tema é um grande desafio para todos. O comportamento suicida sempre existiu na história da humanidade e foi tratado de diversas formas. Hoje, nossa sociedade ainda trata deste tema como um tabu, algo que não deve ser falado e deve ser evitado”, apontou.

A psicóloga Amanda Ferreira, da Coordenadoria de Psicologia Educacional, representou a SED (Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul) no debate e lembrou que a escola é um espaço de acolhimento para os jovens. “A partir da identificação, a escola pode agir, mas a gente precisa de uma articulação com a rede de saúde e de atenção psicossocial. Isso é fundamental para que possamos garantir o atendimento e a proteção dessas crianças”, defendeu.

O deputado federal Geraldo Resende, membro titular da Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental da Câmara dos Deputados, também colaborou com o debate. “Mato Grosso do Sul apresenta alguns desafios para enfrentarmos. Quando organizarmos uma rede de atenção psicossocial em todo o Estado, vamos melhorar a rede da Capital. O combate ao suicídio deve ser feito por várias secretarias. Estamos abertos a todas as sugestões”, disse.

Para a ex-vereadora Cida Amaral, falar de suicídio é uma questão séria. “Quem tenta suicídio não quer morrer. Ele está pedindo ajuda. Quando você vê uma criança mutilada, não quer dizer que é louca. Ela quer diminuir a dor que sente com outra dor. A psicologia é a ponte fundamental em toda essa questão”, afirmou.

Segundo a gerente técnica do Serviço de Prevenção de Violências da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Lucimara Faria, a pasta faz o acompanhamento dos jovens que tentam suicídio. “Precisamos, sim, melhorar nosso atendimento. Hoje, fazemos o monitoramento de todas essas pessoas. Temos uma planilha onde, quando recebemos as notificações, incluímos o nome dessas pessoas. Fazemos a visita domiciliar e ofertamos o atendimento em saúde”, garantiu.

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