O casal preso após o resgate de uma bebê de apenas 28 dias — desaparecida em Campo Grande e encontrada em Pedro Juan Caballero, no Paraguai — deve ser transferido nesta terça-feira (11) para unidades prisionais de Ponta Porã, onde permanecerá provisoriamente antes de ser trazido à Capital. Alex Melo de Abreu e Suzilaine passaram por audiência de custódia na tarde de segunda-feira (10).
Em depoimento ao juiz Renan da Silva Pinto, do Plantão Judiciário da 6ª Região, Alex relatou ter sido agredido por policiais paraguaios e teve pertences apreendidos. Em relação às autoridades brasileiras, afirmou não ter sofrido maus-tratos. O termo de audiência de Suzilaine ainda não foi disponibilizado.
As autoridades comunicaram a prisão ao juízo municipal e aguardam os próximos passos processuais. Equipes da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), responsável pela investigação desde o desaparecimento, acompanham todos os procedimentos em Ponta Porã.
🍼 Situação da bebê
A menina foi acolhida em um abrigo de Ponta Porã após avaliação médica e aguarda decisão da Vara da Infância e Juventude para ser transferida a Campo Grande. Se autorizada, o transporte ficará a cargo da Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS).
Na Capital, ela passará por nova avaliação, assim como seus familiares, antes que a Justiça defina com quem ficará. A decisão também levará em conta os elementos reunidos pela DEPCA sobre as circunstâncias do desaparecimento e a participação de eventuais comparsas.
Como o caso foi descoberto
A bebê desapareceu na quinta-feira (7). A mãe, adolescente de 17 anos, relatou ter conhecido uma mulher pela internet ainda na gestação; ela teria se aproximado com promessa de ensaio fotográfico e, depois, ofereceu R$ 100 para que a jovem cuidasse de uma criança. Ao comparecer ao local combinado com a irmã de 13 anos, as duas foram deixadas em área próxima à UPA do Bairro Universitário — sem a recém-nascida.
A operação de resgate ocorreu por volta da 1h15 de domingo (9), em residência de Pedro Juan Caballero, com apoio de rastreamento de sinais telefônicos. A bebê foi encontrada sem certidão de nascimento, CPF ou qualquer registro de identificação. Foram apreendidos celulares, documentos e um veículo Lifan azul. O casal foi expulso do Paraguai e entregue à Polícia Federal em Ponta Porã.
Antecedentes e outras prisões
Antes do resgate, um homem foi preso em Campo Grande por supostamente ter cedido imóvel usado para esconder a criança. Familiares afirmam que ele conhecia um dos suspeitos, mas ignorava o propósito.
Já Alex, que usava documento falso, era foragido da Justiça do Amazonas, com condenação a 11 anos e 6 meses de prisão por homicídio — caso ocorrido em fevereiro de 2022, em Apuí, quando uma adolescente de 16 anos morreu atropelada. Ele também possui outros registros criminais.
A investigação prossegue para esclarecer a rota de fuga até a fronteira, o percurso e a participação de cada envolvido no rapto da bebê. Até a manhã desta terça-feira, familiares da criança não foram localizados para prestar informações sobre eventual deslocamento até Ponta Porã.




















