Caso Banco Master faz aliados de Flávio Bolsonaro reavaliarem aproximação com PP

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Ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, Ciro Nogueira (PP) tem sido cotado para vice de Flávio (Foto: Redes sociais/Reprodução)

Operação da PF contra Ciro Nogueira aumenta desconforto político na federação com União Brasil

A federação formada por PP e União Brasil, que reúne quase R$ 1 bilhão anuais em fundo partidário e uma das maiores fatias de tempo de rádio e televisão do país, passou a ser vista com maior cautela nos bastidores da corrida presidencial de 2026 após o avanço das investigações envolvendo o Banco Master.

A operação da Polícia Federal realizada nesta quinta-feira (7), que teve o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, como alvo de busca e apreensão, ampliou o desgaste político da legenda e acendeu alertas tanto entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto no grupo ligado ao senador Flávio Bolsonaro.

Até então considerada estratégica pela força política no Congresso e pela influência sobre prefeitos em todo o país, a federação passou a ser tratada por interlocutores políticos como um possível passivo eleitoral, com potencial de gerar desgaste em alianças nacionais e estaduais.

Ex-ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro, Ciro Nogueira vinha sendo apontado nos bastidores como peça importante nas articulações do Centrão para 2026. Em diferentes ocasiões, Flávio Bolsonaro chegou a mencionar publicamente a possibilidade de Ciro integrar uma eventual chapa presidencial da direita como candidato a vice.

Nos bastidores, porém, aliados do senador do PL afirmam que a aproximação com o PP passou a ser avaliada com mais cautela desde a divulgação de declarações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que apontavam Ciro como um de seus principais interlocutores políticos.

O desconforto aumentou após integrantes do União Brasil também aparecerem citados nas investigações. O presidente nacional da legenda, Antonio Rueda, foi mencionado no caso, o que ampliou o impacto político sobre a federação.

Apesar disso, interlocutores ligados a Flávio Bolsonaro afirmam considerar inadequada qualquer tentativa de associar diretamente o senador ao caso investigado pela Polícia Federal. Segundo aliados, ainda não existe definição sobre a composição presidencial da direita para 2026, embora acordos com partidos do Centrão permaneçam no radar político.

Enquanto isso, integrantes da base governista tentam vincular o episódio ao núcleo político bolsonarista. O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai, afirmou que a quinta fase da Operação Compliance Zero pode provocar reflexos no “QG eleitoral do bolsonarismo”.

Segundo o parlamentar, a investigação pode representar “as primeiras notas da marcha fúnebre do conluio pela corrupção” envolvendo setores do Centrão e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Já o secretário de Comunicação do PT, Eden Valadares, afirmou que o partido pretende cobrar investigação rigorosa sobre o caso e questionar possíveis tentativas de “abafar” as apurações envolvendo o Banco Master.

Em nota, Flávio Bolsonaro declarou acompanhar o caso “com atenção” e classificou como “graves” as informações divulgadas pela imprensa. O senador afirmou defender uma apuração “com rigor e transparência”, respeitando o devido processo legal.

“Confiamos na relatoria do caso Master, conduzida pelo ministro André Mendonça, e esperamos uma ampla apuração”, afirmou o parlamentar.