Caso envolvendo banqueiro abre crise na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro

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Flávio Bolsonaro conversou com Vorcaro quando investigações sobre o Banco Master já eram públicas (Foto: Agência Senado e Redes Sociais)

Apesar do apoio de Jair Bolsonaro, aliados monitoram impacto político dos áudios divulgados

O áudio revelado nesta semana colocou a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto sob pressão nos bastidores do PL. Embora aliados do parlamentar e o ex-presidente Jair Bolsonaro mantenham publicamente o discurso de apoio, integrantes da pré-campanha admitem preocupação com o avanço das investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e com os possíveis desgastes políticos do episódio.

Pessoas próximas ao senador afirmam que a intenção segue sendo preservar a candidatura de Flávio Bolsonaro para 2026. Segundo interlocutores, não há atualmente outro nome consolidado para substituí-lo dentro do grupo político bolsonarista, e uma eventual troca de candidatura “não é desejo” do ex-presidente.

Nos bastidores, no entanto, o caso passou a gerar desconforto dentro do partido. O principal motivo é que Flávio sempre adotou um discurso crítico em relação ao Banco Master e às suspeitas envolvendo Vorcaro, sem mencionar a aliados próximos que mantinha contato com o empresário por conta da produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.

A divulgação do conteúdo dos áudios surpreendeu integrantes do chamado “QG eleitoral” do senador e provocou debates internos sobre o impacto político do episódio. Apesar de aliados tentarem minimizar a situação, há uma avaliação de que o caso abriu uma crise de imagem que ainda precisará ser administrada pela pré-campanha.

Em uma das gravações divulgadas, Flávio Bolsonaro chama Vorcaro de “irmão” ao tratar de assuntos relacionados ao financiamento do longa-metragem. Em nota enviada à imprensa, o senador confirmou que procurou o banqueiro em busca de apoio financeiro para o filme, mas negou qualquer favorecimento político ou relação de proximidade além do projeto audiovisual.

Para o professor de ciência política da UFPI, Elton Gomes, o desgaste tende a ser mais político e simbólico do que jurídico. Segundo ele, o principal impacto do episódio está na possível fragilização do discurso histórico do bolsonarismo de combate à corrupção e crítica às elites políticas e econômicas.

“Do ponto de vista estritamente jurídico e institucional, manter relações pessoais, empresariais ou sociais com um banqueiro ou empresário não constitui crime em si. O problema político para Flávio Bolsonaro, principal candidato da oposição, é outro”, avaliou o especialista.

De acordo com Gomes, o grupo político liderado por Jair Bolsonaro construiu sua identidade pública baseada no discurso antipetista, no combate à corrupção e na rejeição às chamadas “velhas práticas” da política tradicional.

Na avaliação do cientista político, a aproximação pública com um empresário envolvido em investigações pode gerar desgaste reputacional para o senador, mesmo sem comprovação de ilegalidade.

“Quando surgem áudios e relatos que aproximam o senador de um personagem que caiu em desgraça pública como Daniel Vorcaro, o dano potencial é sobretudo simbólico e reputacional”, afirmou.