Cesta básica custa R$ 806 em Campo Grande e consome 53,79% do salário mínimo líquido

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(Foto: Divulgação)

Preço dos 13 alimentos subiu 0,18% em setembro, menor variação entre as 27 capitais; tomate e batata lideraram as altas, enquanto leite e carne ficaram mais baratos

O trabalhador que recebe um salário mínimo em Campo Grande precisou destinar mais da metade da renda líquida à compra dos alimentos básicos em setembro. A cesta com 13 produtos custou R$ 806,56, uma alta de 0,18% em relação a agosto. Apesar da pequena variação, o valor comprometeu 53,79% do rendimento após o desconto da Previdência Social.

Os dados são da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgada nesta sexta-feira (9).

Campo Grande registrou a menor variação mensal entre as 27 capitais pesquisadas, embora tenha ficado na nona posição entre as cidades com a cesta básica mais cara do país.

Na comparação regional, a Capital sul-mato-grossense teve custo inferior ao de Cuiabá, onde os alimentos chegaram a R$ 891,24, e ao de Goiânia, com R$ 808,01. Em Brasília, a cesta custou R$ 773,78.

Tomate e batata puxam a alta

A variação reduzida do preço total foi resultado de movimentos opostos nos supermercados. Dos 13 produtos que compõem a cesta básica, cinco ficaram mais caros e oito tiveram redução de preço entre agosto e setembro.

O tomate apresentou a maior alta, de 19,40%, seguido pela batata, com aumento de 13,10%. Também registraram elevação o arroz agulhinha (4,77%), o óleo de soja (1,70%) e o pão francês (1,10%).

Entre os produtos que ficaram mais baratos, a maior redução foi registrada no leite integral, com queda de 4,28%. Na sequência aparecem o feijão-carioca (-3,46%), o café em pó (-2,70%), a carne bovina de primeira (-2,47%) e a banana (-2,37%).

A lista de baixas inclui ainda manteiga (-1,05%), farinha de trigo (-0,69%) e açúcar cristal (-0,35%).

A redução no preço da carne bovina em Campo Grande ocorreu na contramão da tendência nacional. O produto ficou mais caro em 23 das 27 capitais pesquisadas e apresentou queda somente na Capital sul-mato-grossense, em Maceió, Manaus e Natal.

Batata acumula alta de quase 70% em um ano

Apesar da estabilidade registrada em setembro, alguns alimentos tiveram aumentos expressivos no acumulado de 12 meses em Campo Grande.

A batata liderou as elevações, com alta de 69,47%. O feijão-carioca ficou 27,81% mais caro, enquanto o tomate acumulou aumento de 12,32%. Também houve avanço nos preços da carne bovina de primeira (6,13%) e do pão francês (1,27%).

Por outro lado, alguns produtos apresentaram redução significativa no período. O açúcar cristal teve queda acumulada de 26,04%, a maior entre as capitais pesquisadas. O café em pó ficou 23,74% mais barato.

Também registraram recuo a farinha de trigo (-6,49%), o leite integral (-5,83%), o óleo de soja (-5,64%), a banana (-5,17%), a manteiga (-4,36%) e o arroz agulhinha (-0,45%).

Campo Grande foi a única capital em que o leite integral apresentou redução no acumulado de 12 meses.

Aumento acumulado é o menor do país

Entre dezembro de 2025 e setembro de 2026, a cesta básica de Campo Grande acumulou alta de 3,95%, o menor avanço entre as capitais acompanhadas pela pesquisa.

Na comparação dos últimos 12 meses, o aumento foi de 3,32%, o segundo menor do país. O resultado ficou atrás apenas do registrado em Boa Vista, onde a elevação acumulada foi de 2,61%.

Mesmo com os resultados mais moderados, as altas de itens importantes na alimentação cotidiana, como batata, feijão e tomate, continuam pressionando o orçamento das famílias.

Trabalhador precisa de mais de 109 horas de trabalho

Para comprar os alimentos básicos em setembro, o trabalhador campo-grandense que recebe o salário mínimo de R$ 1.621 precisou trabalhar 109 horas e 28 minutos.

Em agosto, eram necessárias 109 horas e 16 minutos, ou seja, o tempo aumentou 12 minutos de um mês para o outro.

Na comparação anual, entretanto, houve melhora. Em setembro de 2025, eram necessárias 113 horas e 8 minutos de trabalho para adquirir a mesma cesta. A diferença representa uma redução de 3 horas e 40 minutos, influenciada pelo reajuste do salário mínimo, que passou de R$ 1.518 para R$ 1.621.

Considerando o rendimento líquido, após o desconto de 7,5% da Previdência Social, a compra dos alimentos comprometeu 53,79% do salário em setembro. O percentual era de 53,70% em agosto e de 55,60% no mesmo mês de 2025.

Salário mínimo necessário seria de R$ 7,7 mil

O levantamento do Dieese também estima quanto deveria ser o salário mínimo para garantir o sustento de uma família de quatro pessoas, considerando despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Em setembro de 2026, o valor estimado foi de R$ 7.750,01, equivalente a 4,78 vezes o salário mínimo nacional de R$ 1.621.

A diferença entre o piso efetivamente pago e o valor considerado necessário chegou a R$ 6.129,01.

Em agosto, o salário mínimo necessário havia sido estimado em R$ 7.565,86. Em setembro de 2025, a estimativa era de R$ 7.075,83.