Condenado a quase 126 anos, chefão do PCC é preso na Bolívia após 6 anos foragido

14
Foto: Divulgação

Um dos criminosos mais procurados do Brasil foi capturado nesta terça-feira (26). Gerson Palermo, de 68 anos, conhecido como “Pigmeu”, apontado como uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi preso pela Força Especial de Combate ao Narcotráfico da Bolívia, em operação conjunta com a Polícia Federal brasileira, na região de Santa Cruz de la Sierra, a cerca de 650 km de Corumbá. Ele estava foragido desde abril de 2020 e acumula condenações que somam quase 126 anos de prisão.

Sua fuga aconteceu pouco depois de ele receber benefício de prisão domiciliar durante a pandemia da Covid-19, em decisão que gerou repercussão e punição ao magistrado responsável. Agora, a expectativa das autoridades é pela sua extradição para o Brasil, onde vai responder a todos os processos e cumprir as penas impostas pela Justiça.

Da prisão domiciliar à fuga

Palermo cumpria pena no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande quando, em abril de 2020, obteve habeas corpus concedido pelo então desembargador Divoncir Schreiner Maran. A decisão foi dada em menos de 40 minutos durante um plantão judicial e autorizou a sua saída do presídio sob o argumento de que ele integrava grupo de risco para a covid-19.

Ele recebeu tornozeleira eletrônica e foi levado para casa, mas cerca de cinco horas depois já havia rompido o equipamento e fugido. Na época, já havia suspeita de que ele teria seguido diretamente para a Bolívia, onde mantinha residência.

O caso gerou investigação disciplinar pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que em fevereiro deste ano decidiu, por unanimidade, aplicar a aposentadoria compulsória ao desembargador, entendendo que houve irregularidades na concessão do benefício.

Trajetória criminosa marcada por crimes de alta periculosidade

Nascido para o crime desde o início dos anos 1990, Gerson Palermo construiu uma trajetória de violência e poder dentro do PCC. Sua condenação mais famosa é referente ao sequestro de um avião da Vasp, em agosto de 2000. Na ocasião, ele e sua quadrilha tomaram controle de um Boeing 737 que decolou de Foz do Iguaçu (PR), obrigaram a aeronave a pousar em Porecatu (PR) e roubaram nove malotes do Banco do Brasil, com cerca de R$ 5,5 milhões. Por esse crime, ele recebeu pena de 66 anos e 9 meses de prisão.

Piloto de aeronaves, ele se tornou uma peça-chave no tráfico internacional de drogas. Em 2017, foi alvo da Operação All In, da PF, que desmontou um esquema que trazia cocaína da Bolívia por aviões até Corumbá e depois distribuía a droga por todo o Brasil usando caminhões e carretas.

A operação apreendeu mais de 810 quilos de entorpecentes e revelou que Palermo agia formalmente como comerciante de aeronaves e veículos de luxo, mas na verdade comandava uma rede de lavagem de dinheiro, uso de “laranjas” e falsificação de documentos para ocultar bens provenientes do tráfico. Por esses crimes, ele foi condenado a mais 59 anos de prisão, totalizando os quase 126 anos registrados em seu nome.

Ele também é citado em investigações sobre a morte do traficante Jorge Rafaat, conhecido como “Rei da Fronteira”, morto em 2016, em Pedro Juan Caballero (PY), com uso de armamento de guerra. Interceptações telefônicas indicam que a ordem para a execução partiu de Palermo, embora apenas um outro envolvido tenha sido condenado até o momento.

Mesmo foragido, ele continuou envolvido em casos policiais: em outubro do ano passado, foi denunciado pelo sequestro da própria filha, em Campo Grande, motivado pelo desaparecimento de cerca de US$ 100 mil. A primeira audiência do caso já foi realizada na Capital.

O que diz a defesa

Procurada pela reportagem, a defesa de Gerson Palermo, formada pelos advogados Amilton Ferreira e Rodney do Nascimento, afirmou que ainda aguarda a sua chegada ao Brasil para dar continuidade ao trabalho. Palermo permanece sob custódia das autoridades bolivianas e os trâmites para a sua extradição já foram iniciados pelo governo brasileiro. Com a sua captura, sai da lista dos mais procurados do país uma das lideranças mais antigas e influentes do crime organizado no Centro-Oeste e no Brasil.