Chuva cancela caminhada #TodosPorElas no Parque dos Poderes em Campo Grande

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(Foto: Redes sociais)

Evento chegou a reunir participantes e autoridades, mas percurso foi suspenso devido ao mau tempo na Capital

Nem mesmo a mobilização de autoridades, representantes de instituições e da sociedade civil foi suficiente para vencer a força da chuva que atingiu Campo Grande na manhã deste domingo (15). A 3ª Caminhada #TodosPorElas pelo Fim do Feminicídio teve a concentração realizada no Parque dos Poderes, mas o percurso previsto acabou cancelado por causa do mau tempo.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), apenas neste domingo já foram registrados cerca de 13 milímetros de chuva em uma das estações da Capital. No sábado (14), o acumulado chegou a 32,2 milímetros, cenário que contribuiu para a decisão de suspender a caminhada.

Antes do cancelamento, a primeira-dama do Estado, Mônica Riedel, a coordenadora da Casa da Mulher Brasileira, Carla Stephanini, e as desembargadoras Sandra Artioli e Jaceguara Dantas participaram de um ato realizado em frente ao quartel do Corpo de Bombeiros, local de concentração do evento. Houve discursos, momento de aquecimento e mensagens de conscientização, mas a forte chuva impediu que os participantes seguissem pelas ruas.

Mesmo com o clima adverso, cerca de 60 pessoas compareceram ao local. A organização informou que já esperava uma redução no público em razão da previsão de chuva, do nevoeiro e das temperaturas mais baixas. Na edição do ano passado, a caminhada reuniu aproximadamente 1,2 mil participantes.

Durante o ato, a primeira-dama Mônica Riedel destacou que a violência contra a mulher é uma realidade que precisa ser enfrentada por toda a sociedade. “É uma coisa inadmissível, que não deveria existir. Mas, como ela existe, precisamos encontrar maneiras de combatê-la, e a sensibilização proposta aqui hoje é uma delas”, afirmou.

A coordenadora da Casa da Mulher Brasileira, Carla Stephanini, ressaltou que a mobilização simboliza o compromisso conjunto das instituições públicas no enfrentamento ao problema. Segundo ela, a iniciativa busca fortalecer ações para eliminar a violência doméstica e familiar, especialmente os casos de feminicídio, considerados mortes evitáveis.

Idealizadora da caminhada, a conselheira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), desembargadora Jaceguara Dantas, lembrou que o Poder Judiciário tem papel essencial na responsabilização dos agressores e na rápida análise das medidas protetivas. Ela citou dados nacionais que apontam 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, o equivalente a quatro mulheres mortas por dia apenas por serem mulheres.

Coordenadora estadual da Mulher em Mato Grosso do Sul, a desembargadora Sandra Artioli afirmou que, mesmo sem a realização do percurso, a presença dos participantes demonstrou a importância de manter o tema em evidência. “Hoje, mesmo com esse tempo tão difícil, as pessoas vieram porque é importante dar visibilidade e fazer a sociedade refletir. Por trás dos números existem famílias destruídas e uma dor que atinge toda a comunidade”, declarou.

A caminhada integra o movimento #TodosPorElas, promovido pelo TJMS, que reúne instituições públicas, entidades e a sociedade civil em ações de conscientização e prevenção à violência de gênero. Embora o trajeto tenha sido cancelado, a organização reforçou que a mensagem de enfrentamento ao feminicídio e de defesa da vida das mulheres permanece como principal objetivo da mobilização.