Artigo de opinião

Altos e baixos da vida, são estradas para a fé!

 

23/05/2020 06h22
Por: Janir Arruda

 
Capela de Virgílio Aleixo, em Corumbá.

Nas duas últimas semanas em números absolutos, o Brasil saltou da sétima para a segunda posição entre as nações com mais casos de Covid-19. E desta forma se mantém como um dos países em situação mais crítica do mundo em números de infecções ficando apenas atrás dos estados Unidos. Foram 1001 novs mortes em 24 horas elevando o total de óbitos pela doença para 21.048. São 330.890 pessoas contaminadas.

Está chegando o dia em que a saudade deixa de ser dor e vira história, para contar e guardar pra sempre algumas pessoas são sim eternas dentro da gente. Pensando nessa tristeza que tantas famílias brasileiras estão passando, fui até a rua América quase esquina da Sete de Setembro: este é o lugar. Um pequeno altar, singelas mas certamente emotivas placas e faixas em pleno centro de Corumbá/MS. Mas é só passar um breve tempo que logo chega companhia. É a fé. É a capela de Virgílio Aleixo, em Corumbá, é pródiga em receber pessoas das mais variadas profissões e situações. A fé é um termo que implica e uma atitude contrária a dúvida e está intimamente ligada a confiança.

Em algumas situações como problemas emocionais ou físicos, ter fé tem todo um significado especial que carrega esperança e mudança. Quem passa por aquele local encontra um pequeno altar, placas, faixas de agradecimento e velas sempre acesas em sinal de uma fé viva e sempre presente. Há várias vertentes para sua real história. Todas elas cheias de tristezas e injustiças. No cemitério Santa Cruz existe um túmulo que se atribui a Virgílio Aleixo com inscrição 1890 a 1912. Mas três versões são as mais fortes. A primeira de que naquele local uma pessoa foi morta por engano e que nos primórdios do século pessoas faziam ali suas orações e eram realmente atendidas espalhando a lenda.

Outra diz que ele trabalhava como produtor rural e que vinha fazer comércio de leite, mas era pessoa muito humilde e muito honrada e por uma discussão banal por questões de valores, foi morto sem piedade. E a terceira, muito conhecida é a de que ele era um marujo que morava com a avó e que teve sua vida interrompida violentamente, mas que era capitaneada por um grupo de amigos por não querer participar de ações escusas, o que deixou mais trágica a sua história. Talvez hoje o que motivou a morte não seja tão importante. O que vale é que todos os dias, pessoas pelas mais diversas razões se ajoelham naquele local e tentam alívio aos seus desesperos pessoais.

Ele não foi reconhecido como santo pela Igreja, mas não faltam pessoas que agradecem o emprego, a cura de uma doença ou a uma reconciliação de um amor perdido. A Fé é de cada um e cada um tem no que acreditar, mas certamente que estas histórias cada vez mais precisam e devem ser valorizadas pelas pessoas. E isso, sempre vai ser um desafio para a ciência. A ciência pode prever, pode nos proteger e até certo ponto explicar diversas situações, mas nunca poderá competir com o poder da crença e da imaginação humana, mesmo na mais completa ausência de evidências. E o mistério sempre será testemunho eloquente da fecundidade do encontro entre fé cristã e a essência humana. Esse fato contrasta com as mortes que estão acontecendo com o coronavírus, aonde os familiares e amigos não podem nem abrir o caixão.

O vírus está reformulando alguns aspectos da morte e da objetividade de se lidar com corpos infectados, ante a observância das necessidades espirituais e emocionais dos que ficam. Peço a Deus sapiência aos governantes para administrar da melhor forma nesse período e ao povo em geral, lucidez para conduzir com parcimônia, nossos dias. É o que desejo e espero, pois esses altos e baixos da vida sempre foram e sempre serão, estradas para a fé !.

Janir Arruda - Técnica em assuntos Culturais.

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