Conama aprova catalisadores para motos com apenas 20 mil km de durabilidade

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Para ambientalista, medida trará sérios prejuízos à saúde pública com aumento da poluição do ar; governo de SP e Cetesb queriam 35 mil km

26/04/2019 11h42
Por: Redação

O Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) aprovou na terça-feira (23), por uma diferença de apenas um voto (36 a 35), resolução determinando que os catalisadores usados por motocicletas, com velocidade máxima de 130 km/hora, veículos altamente poluentes nas grandes cidades, tenham uma durabilidade de apenas 20 mil quilômetros de rodagem a partir de 2023.

As fabricantes de motos de Manaus, especialmente a Honda e Yamaha, com apoio explícito do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e de outros setores de governos e da indústria que participam do Conama defenderam a proposta, enquanto os ambientalistas, o governo paulista e a própria Cetesb queriam catalisadores mais eficientes, com prazo mínimo de vida de 35 mil km. A informação é do presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), Carlos Bocuhy, conselheiro do Conama e que participou da reunião.

A discussão no Conama em torno dos catalisadores das motos é antiga, mas apenas nesta semana houve uma definição final. “A decisão manterá a atual situação de poluição atmosférica, prejudicial ao meio ambiente e à saúde da população”, afirma Bocuhy. Segundo ele, as motos rodam no Brasil 12 mil km em média por ano, portanto, em dois anos os catalisadores perdem a sua função, caso se utilize o modelo defendido pela indústria e fabricantes. O custo da adaptação das motos para catalisadores com duração de 60 mil km (considerado o ideal) seria de apenas entre U$ 30 e U$ 50 para os produtores.

A frota de motocicletas no Brasil hoje é de mais de 26 milhões de unidades, conforme o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). “O país tem atualmente, segundo estimativas, mais de 20 milhões de motos com catalisadores inoperantes, lançando o total da poluição na atmosfera, já que a duração do equipamento é inferior a dois anos”, diz o ambientalista.

Estudo recente do Instituto de Saúde e Sustentabilidade aponta que, entre 2018 e 2025, o Brasil terá um custo adicional de R$ 51 bilhões com saúde, considerando internação, perdas de produtividade e mortes, devido à poluição do ar, especialmente nas regiões metropolitanas. O Proam está entrando com representação no Ministério Público Federal (MPF) contra essa decisão.

**Sobre o Proam

O Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam) é uma organização não-governamental que estimula ações e políticas públicas com a finalidade de tornar o ambiente saudável, principalmente em grandes áreas urbanas. Fundada em abril de 2003, a ONG é presidida pelo ambientalista Carlos Bocuhy (conselheiro do Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama).

Desde sua fundação, o Proam tem trabalhado em defesa da boa normatização e indicadores ambientais para a elaboração de políticas públicas, realizando diagnósticos ambientais, vistorias, denúncias e cobrança de soluções e da eficácia na atuação dos órgãos competentes. Além disso, a ONG desenvolveu a campanha ambiental “Billings, Eu te quero Viva!” e o programa Metrópoles Saudáveis. Este programa, atualmente em andamento, é coordenado pelo Proam e apoiado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Reprodução da internet