Pixabay

À medida que o novo coronavírus continua infectando pessoas em todo o mundo, notícias e publicações nas mídias sociais sobre o surto continuam a se espalhar online, fenômeno que já recebeu o nome de infodemia. Esse fluxo incessante de informações pode dificultar a separação entre fatos e ficção, o que, durante um surto viral, pode ser extremamente perigoso.

No meio da pandemia de Covid-19, uma série de boatos e mitos são divulgados. Aparentemente inofensivas, essas fake news podem colocar a vida da população em risco e pressionar ainda mais o sistema de saúde, aproximando-o do colapso. Dessa forma, desvendar os mitos sobre a Covid-19 também contribui para a saúde coletiva.

Confira abaixo 7 dessas inverdades e porque não devem ser analisadas com cuidado:

– Homens têm mais risco de contrair a doença. Até o final de março, o Ministério da Saúde havia divulgado de que, no Brasil, 60% das pessoas mortas pela Covid-19 eram homens, o que pode ter levado pessoas a acreditar que a doença pode atingir os gêneros de formas diferentes. Biologicamente, porém, não há nenhuma evidência de que o vírus ataque mais homens do que as mulheres. O registro de uma proporção maior de homens infectados e mortos está relacionado às características dos hábitos masculinos, que, em geral, bebem e fumam mais do que as mulheres, além de serem mais negligentes quanto à própria saúde;

– Crianças pequenas são imunes ao vírus. Embora relatórios inicias na China sugerissem menos casos em crianças do que em adultos, estudos recentes apontam que os pequenos têm a mesma probabilidade de serem infectados do que adultos, quando potencialmente expostas ao vírus. Ainda assim, as crianças possuem as menores chances de desenvolver a Covid-19 em seu estado mais grave;

– Animais domésticos podem ser vetores do coronavírus. A principal transmissão da Covid-19 é entre humanos. Ainda que o novo coronavírus possa ser encontrado em animais, não há evidências científicas da transmissão de bichos para humanos, principalmente quando se fala em animais domésticos. Os pets podem até conter baixos níveis de vírus que são provavelmente inofensivos. De qualquer forma, é sempre aconselhável higienizar com água e sabão as mãos antes de encostar em seu animal quando veio da rua e após o contato com ele;

– Produtos oriundos da China podem estar contaminados. Quando a epidemia do novo coronavírus começou na China, acreditava-se que os produtos enviados por esse país poderiam transportá-lo. No entanto, o vírus não sobrevive fora do corpo humano tempo o suficiente para que seja possível que objetos e cartas transportados pelo mundo disseminem a Covid-19;

– O vírus desaparece no calor. Estudos sugerem que o novo coronavírus se espalha mais lentamente em países onde a temperatura é mais elevada. No entanto, isso não é uma garantia de que ele possa desaparecer no calor. Geralmente, os coronavírus sobrevivem por períodos mais curtos quando expostos a temperaturas e à umidade mais altas do que em ambientes mais frios ou secos. Porém, não existem dados sobre um ponto de corte baseado em temperatura para inativação do novo coronavírus. São necessários mais estudos para compreender a sua relação com a doença;

– Lavar o nariz com solução salina previne infecção pelo novo coronavírus. Ainda que haja inúmeras evidências de que lavar regularmente o nariz com solução ajude na recuperação mais rápida de resfriados comuns, não existem evidências científicas de que o mesmo hábito previna infecções respiratórias;

– Beber bastante água impede que o vírus se aloje na garganta. Manter-se hidratado com água potável é de extrema importância para a saúde em geral, mas não previne a Covid-19. Se estiver com febre, tosse seca e dificuldade para respirar, procure atendimento médico imediatamente. Se possível, avise antes seu médico para que ele possa se preparar para sua visita.

Informações precisas e confiáveis permitem que pessoas tomem decisões conscientes e adotem comportamentos positivos para proteger a si e seus entes queridos de doenças como a causada pelo novo coronavírus. Ao buscar dados sobre a Covid-19, dê preferência a canais oficiais, como o site da Organização Mundial de Saúde (OMS), a Secretaria de Saúde do Estado ou o Ministério da Saúde. Lembre-se, informações baseadas em evidências são a melhor vacina contra os boatos e a desinformação.

Comentários