Fatores que determinaram crescimento no consumo são a busca por alimentação saudável e preparo das refeições em casa

Levantamento desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP) aponta que em 2020 houve crescimento de quase 5% no consumo de frutas, hortaliças e leguminosas, como o feijão, por exemplo.

O projeto realizado pelo Estudo NutriNet Brasil* contou com a participação de 10 mil pessoas e destacou que os fatores determinantes para o aumento do consumo desses alimentos foram: a preocupação com o sistema imunológico e a oportunidade de preparar as próprias refeições em razão do trabalho home office.

Roseli Candêo, instrutora nos cursos de gastronomia do Senac EAD, avalia que a mudança de hábitos contribuiu para que as pessoas repensassem a qualidade de vida e, consequentemente, os valores nutritivos dos alimentos consumidos. “Antes da pandemia, as pessoas se alimentavam em restaurantes com pressa e com pouco tempo para analisarem o que comiam. O fato de estarem em casa e compartilharem as refeições em família contribuiu para tornar prazeroso o processo de cozinhar”, ressalta.

Mudança de comportamento

Outro dado que reforça essa modificação na alimentação brasileira foi divulgado em pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope)*. Do total de entrevistados, 14% informaram que utilizam a alimentação vegetariana e acrescentaram ter interesse de aumentar o consumo de produtos veganos.

No entanto, a especialista do Senac EAD alerta que a proteína é fundamental para construir, reparar e manter a estrutura corporal, por isso, os interessados em aderir à transição alimentar precisam de orientação nutricional e atenção com as substituições de alimentos. “A maioria das proteínas vegetais não são completas e nosso corpo pode levar mais tempo para absorver. Dessa forma, ao adotar uma dieta vegetariana ou vegana é preciso encontrar opções que compensem a falta de algum aminoácido animal, o que será mais assertivo com a orientação de nutricionistas. Entre os produtos que registram quantidades consideráveis dessa substância, temos: soja, quinoa, trigo sarraceno, lentilhas, feijão, semente de linhaça, grão de bico, amendoim e castanhas”, explica Roseli Candêo.

A especialista argumenta que as pessoas que já adotam hábitos alimentares sem produtos animais têm mais facilidade e criatividade para preparem refeições ao contrário de quem foi acostumado a ingerir carne. “A maioria da população recebeu uma educação alimentar carnívora e, por isso, quando fazem essa troca precisam estar cientes de substituir todos os nutrientes com qualidade. Não basta somente parar de comer carne, é preciso trocar o alimento por produtos que forneçam o mesmo valor nutricional”, pontua.

Em relação aos produtos congelados (vegetarianos e veganos) disponibilizados no mercado, a docente do Senac EAD faz algumas recomendações: “É preciso observar se existe um acompanhamento de nutricionista responsável no processo de produção dos alimentos. Muitos itens são preparados para comercialização sem o balanceamento necessário, o que influencia na combinação de nutrientes”, acrescenta.

Solicitamos à instrutora do Senac EAD uma receita fácil e saborosa incluindo proteína vegetal e ela escolheu a quinoa. Acompanhe o preparo:

Salada de quinoa com cogumelos Shitake

2 xícaras de quinoa

1 xícara de pepino cortado em cubos

½ xícara de pimentão cortado em cubos

2 colheres de sopa de salsinha

1 xícara de cogumelos shitake desidratados e fatiados

Molho:

250 ml de azeite de oliva

3 colheres de sopa de linhaça dourada

2 dentes de alho amassados

Suco de ½ limão

Sal a gosto

Cebolinha picada a gosto

Preparo:

Hidrate os cogumelos com 2 colheres de sopa de água

Salteie os cogumelos num fio de azeite

Cozinhe a quinoa com água e sal até que fique macia. Escorra, espere esfriar e misture com o pimentão, o pepino, a salsinha e o camarão.

Molho: coloque no liquidificador a semente de linhaça dourada, o alho, o suco de limão, o sal, a salsa e a cebolinha. Bata levemente.

Acrescente o azeite de oliva aos poucos, mantendo o liquidificador ligado até formar um molho cremoso e espesso. Sirva com a salada.

*Fontes: Nutrinet Brasil: https://jornal.usp.br/atualidades/alimentacao-brasileira-ainda-e-saudavel/

Pesquisa Ibope: https://www.svb.org.br/2469-pesquisa-do-ibope-aponta-crescimento-historico-no-numero-de-vegetarianos-no-brasil

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