Copom define hoje a Selic em 15%, maior taxa em quase 20 anos

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(Foto: Marcelo Casal JR- AB)

Expectativa do mercado é de manutenção da taxa; decisão influencia crédito, consumo e inflação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (28) para definir a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. A expectativa majoritária do mercado é de manutenção da taxa em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006, que deve permanecer por pelo menos 45 dias até a próxima reunião do comitê.

A rodada de discussões começou na terça-feira (27) e acompanha o histórico recente de política monetária: após sete altas consecutivas iniciadas em setembro de 2024, a Selic se estabilizou em dezembro passado, quando o Copom manteve a taxa em 15% pela quarta vez seguida. Em nota, os diretores destacaram que a decisão visa à convergência da inflação à meta, mantendo o equilíbrio entre estabilidade de preços, atividade econômica e pleno emprego.

O Copom ressaltou que a elevada incerteza, tanto interna quanto externa, exige cautela, e que ajustes futuros podem ocorrer caso a inflação ou expectativas inflacionárias se desancorem.

A decisão ocorre em uma “superquarta”, quando autoridades monetárias do Brasil e dos Estados Unidos divulgam suas decisões simultaneamente. Nos EUA, o Federal Reserve (Fed) também deve manter os juros entre 3,50% e 3,75%.

Projeções do mercado financeiro indicam estabilidade da Selic no fim de 2026, em 12,25%, e para o fim de 2027, em 10,5%, segundo o relatório Focus divulgado pelo Banco Central. A taxa elevada encarece o crédito, reduz consumo e produção, e atua como instrumento de contenção da inflação.

Historicamente, entre agosto de 2022 e junho de 2023, a Selic estava em 13,75%. Seguiram-se cortes até 10,5% em maio de 2024, antes de uma nova série de elevações que levou a taxa ao atual patamar de 15%, reforçando o cenário de juros mais altos do país nos últimos 20 anos.