Copom se reúne nesta semana com expectativa de manutenção da Selic em 15%

8
Copom se reúne com Selic no maior patamar em quase 20 anos

Indicadores domésticos mistos e tensões globais reforçam decisão de juros inalterados

Em meio a dados econômicos mistos e tensões globais crescentes, o Banco Central realiza nesta quarta-feira (28) a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2026, com mercado praticamente certo de que os juros permanecerão no atual patamar de 15% — o mais alto em quase duas décadas.

Segundo o Sistema Expectativas de Mercado, a mediana das projeções dos agentes econômicos indica manutenção da Selic nesta reunião, enquanto contratos de opção negociados na B3 mostram que 83% dos investidores acreditam na mesma direção. O cenário reforça a percepção de que o início do ciclo de afrouxamento dos juros deve ficar para março.

Analistas apontam que a decisão do Copom será influenciada por indicadores domésticos e externos. No Brasil, o desemprego segue em níveis historicamente baixos, refletindo uma economia ainda aquecida, enquanto o IPCA se aproxima gradualmente do centro da meta. No exterior, o cenário geopolítico permanece desafiador, com ações militares dos EUA na Venezuela e tensões internacionais envolvendo Donald Trump e aliados europeus.

Outro fator que pesa na decisão é a reestruturação da cúpula do BC: o primeiro Copom de 2026 contará com duas vagas a menos, após as saídas dos diretores Renato Gomes e Diogo Guillen, indicados no governo anterior. Cabe ao presidente Lula apresentar novos nomes para completar o colegiado.

Apesar da expectativa de manutenção, analistas do Goldman Sachs e do Santander projetam uma possível mudança no tom do comunicado do Copom. O BC pode começar a sinalizar, de forma cautelosa, que os juros permanecem restritivos há tempo suficiente e que há espaço para avaliar cortes futuros, sem assumir compromissos definitivos.

“Ao adotar essa postura, o Copom mantém flexibilidade para analisar um eventual corte em março, utilizando linguagem cautelosa que preserve a credibilidade da política monetária”, destacam os analistas.

O último ciclo de decisões de 2025 terminou com quatro reuniões consecutivas de manutenção dos juros em 15%, e os especialistas indicam que o cenário para o início de 2026 segue alinhado, com a Selic prevista para fechar o ano em 12% e sem expectativa de voltar a dois dígitos antes de 2028.