O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, decidiu não assinar a renovação contratual de Memphis Depay. Com isso, o atacante holandês não jogará mais pelo clube.
A decisão encerra uma negociação que se arrastou desde a pausa para a Copa do Mundo e teve inúmeras divergências entre o estafe de Memphis e a diretoria corintiana.
Os dois lados haviam chegado a um acordo em 26 de julho e, a partir daí, negociaram pontos do contrato, com o surgimento de novas divergências. Superados os entraves, o documento estava há três dias pronto para ser assinado.
Em nota divulgada nesta terça-feira, o presidente do Corinthians disse que tomou a decisão levando em conta a “saúde financeira” do clube, “que demanda um rigoroso equilíbrio e responsabilidade na gestão dos recursos disponíveis”.
– Diante das obrigações financeiras atuais e futuras do Corinthians, ficou claro que assumir um novo compromisso dessa magnitude não seria compatível, neste momento, com o equilíbrio financeiro que precisamos preservar para garantir a sustentabilidade da instituição – declarou o presidente no comunicado.
Na sua passagem pelo Corinthians, Memphis disputou 79 jogos, fez 20 gols e deu 15 assistências. Ele conquistou três títulos: Campeonato Paulista e Copa do Brasil em 2025 e Supercopa Rei em 2026.
Confira a nota do Corinthians:
“O Sport Club Corinthians Paulista decidiu não renovar o contrato do atleta Memphis Depay. Esta decisão foi tomada única e exclusivamente em consideração à saúde financeira da nossa instituição, que demanda um rigoroso equilíbrio e responsabilidade na gestão dos recursos disponíveis.
Gostaríamos de expressar nosso profundo agradecimento ao jogador Memphis Depay e a toda sua equipe, que desde o início das negociações buscaram o melhor acordo possível.
Ao atleta, em especial, o Clube é eternamente grato pela dedicação e pelos resultados alcançados ao longo de sua trajetória conosco, que incluem 79 jogos disputados, 20 gols marcados e, sobretudo, a conquista de três títulos importantes: o Paulistão e a Copa do Brasil, em 2025; e a Supercopa Rei, em 2026. Estas conquistas certamente permanecem como parte fundamental da história do Corinthians.
Entendemos que o processo se estendeu além do prazo tradicional, mas isso se deve, principalmente, ao fato de estarmos tratando com um atleta diferenciado.
A Diretoria reconhece e valoriza ainda os esforços incansáveis de todos os departamentos da instituição que trabalharam para viabilizar a permanência do atleta.
Contudo, após análise cuidadosa, prevaleceram motivos exclusivamente financeiros e o compromisso com a responsabilidade da gestão do Clube.
Diante das obrigações financeiras atuais e futuras do Corinthians, ficou claro que assumir um novo compromisso dessa magnitude não seria compatível, neste momento, com o equilíbrio financeiro que precisamos preservar para garantir a sustentabilidade da instituição.
Reconhecemos que esta foi uma decisão difícil, mas, sem dúvidas, necessária para o futuro do Sport Club Corinthians Paulista.
Para esclarecer eventuais dúvidas e discutir este assunto de maneira mais detalhada, o Clube organizará uma entrevista coletiva, nos próximos dias, na qual o presidente Osmar Stabile estará à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários.
Agradecemos a compreensão de todos e continuaremos trabalhando para que o Corinthians siga forte, sólido e vencedor.”
Negociação de renovação
Para continuar no Corinthians, Memphis aceitou mudar o modelo de contrato anterior, que vigorou de setembro de 2024 a julho deste ano. Houve redução nas remunerações e mudanças nas bonificações. Ele também concordou em assinar por dois anos, em vez dos três anos que queria inicialmente, e parcelar os R$ 42 milhões que tem a receber do clube.
Pelo lado do Corinthians, a renovação enfrentou enorme resistência das alas políticas do Parque São Jorge. Conselheiros influentes e pessoas próximas a Stabile sempre foram contra o acerto, mesmo com a redução nos valores do contrato.
Com o avanço das negociações, Memphis retornou ao Brasil no último dia 4, com a perspectiva de assinar a renovação.
Ele passou por uma bateria de exames ao longo de dois dias, em um hospital e no CT Joaquim Grava, e foi aprovado pelo departamento médico, contrariando a expectativa de aliados do presidente corintiano de que os testes mostrariam condições físicas inadequadas.
Mesmo assim, as divergências se arrastaram durante a passagem de Memphis por São Paulo, sem que o atacante pudesse ser reintegrado ao elenco, voltar aos treinos ou viajar para o primeiro compromisso no mata-mata da Conmebol Libertadores.
Durante todos esses dias de indefinição, os profissionais do departamento de futebol sustentaram que o acordo estava encaminhado, mas que era necessário esperar a conclusão da burocracia jurídica.
O executivo de futebol Marcelo Paz, que conduziu as negociações para a renovação, e o técnico Fernando Diniz, que fez declarações públicas em defesa da permanência do atacante, foram os principais fiadores do negócio.
Nos últimos dias, havia um alinhamento entre os departamentos financeiro, jurídico e de marketing para que a renovação fosse concretizada.
O presidente ficou na delicada posição de ter de escolher entre desagradar aliados em um ano eleitoral, com risco de perder apoio político caso autorizasse a renovação, e contrariar os torcedores caso barrasse o novo contrato.
*Por Globoesporte





















