Após o insucesso popular deixado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Consórcio Guaicurus (carinhosamente chamada de CPI dos ônibus), a Câmara Municipal caminha para instaurar uma nova linha investigativa na atual legislatura. O tema da vez são os buracos e a esquisita deficiência da Prefeitura na execução dos reparos. A pauta é assunto viral nas redes sociais e funciona como motor de propulsão a jato para quem almeja disputar as eleições de 2028.
A relevância da nova CPI é tão significativa que todos os 29 vereadores assinaram o requerimento de abertura, um movimento considerado raro na histórica política defensiva do Legislativo. É verdade que a situação fugiu do controle da Prefeitura, Campo Grande vive hoje uma autêntica epidemia de buracos. Tal como uma doença, surgem novos casos todos os dias, afetando todas as sete regiões urbanas e até a já precária e sempre esquecida zona rural. Não é exagero afirmar que não existe uma única rua sem ter ao menos um buraco na cidade.
A Comissão promete apurar supostas irregularidades nos contratos firmados com empreiteiras responsáveis pelo serviço de manutenção das vias urbanas, além de entender se houve redução nos investimentos para o setor ao longo do ano corrente e também o não cumprimento de prazos de resposta a pedidos de informação já aprovados pelos vereadores. A investigação ganha ainda mais importância pelo fato de poder, conforme for, resultar em um pedido de cassação da prefeita Adriane Lopes (PP) por improbidade administrativa.
Com todos os holofotes apontados para os trabalhos, fazer parte da linha de frente tornou-se uma estratégia política para quem pretende concorrer à reeleição em 2028. A vereadora Luiza Ribeiro (PT), autora do pedido da CPI, é cotada para assumir a presidência. Outros que devem fazer parte são: Dr. Lívio (União), Ana Portela (PL), Beto Avelar (PP) e o Professor Juari (PSDB). Ao mesmo tempo, existe a pressão popular para que a investigação acrescente algo positivo e não termine em nada, conforme ocorreu com a CPI dos Ônibus.
Segundo a Câmara Municipal atualizou, o requerimento assinado pelos vereadores já está com a Procuradoria Jurídica, que deverá emitir parecer sobre os requisitos legais e regimentais ao longo dos próximos dias. Depois dessa etapa, a mesa diretora faz a formalização e a criação da comissão, definindo seus integrantes titulares e suplentes, bem como a presidência, relatoria e o calendário de trabalho. O prazo de conclusão da investigação é de 120 dias.
Enquanto a burocracia não concretiza logo a abertura da CPI, os vereadores vão buscando respostas com convocações de representantes do Executivo. Na próxima terça-feira (27), o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Moura Brandão, vai prestar esclarecimentos sobre o serviço de tapa-buracos. Na última terça (20), a participação dele foi interrompida por uma confusão envolvendo um servidor público comissionado e um comerciante que estava protestando com uma maquete de um buraco.





















