Santiago Peña é acusado pela oposição de negligência e conflito de interesses após a intervenção da instituição financeira
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, enfrenta nesta sexta-feira (6) uma etapa decisiva de seu futuro político. O Senado retoma, às 10h (horário de Brasília), o julgamento político que pode resultar na destituição do chefe do Executivo, em meio à crise provocada pela intervenção do Ueno Bank e às suspeitas de conflito de interesses envolvendo o governo.
A sessão foi convocada depois que os parlamentares concluíram, na noite de quinta-feira (5), a apresentação das acusações. Peña foi chamado a comparecer ao Senado para apresentar sua defesa, pessoalmente ou por meio de representantes.
Na manhã desta sexta, o presidente ainda permanecia formalmente no cargo. Isso porque uma sessão conjunta do Congresso, convocada para analisar sua renúncia, terminou sem quórum após a saída de parlamentares governistas. Com isso, o processo de impeachment continuou no Senado.
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A crise política começou após o Banco Central do Paraguai determinar, na terça-feira (3), a intervenção e o processo de liquidação do Ueno Bank. A autoridade monetária identificou que o índice de solvência da instituição havia caído para menos da metade do mínimo exigido pelas regras do sistema financeiro.
O banco, controlado pelo Grupo Vázquez, atendia cerca de 2,9 milhões de clientes e administrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos de instituições públicas, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social paraguaio. A intervenção deixou clientes temporariamente sem acesso às contas e provocou preocupação sobre o destino das economias e dos recursos públicos mantidos na instituição.
Acusações contra o presidente
A oposição acusa Peña de conflito de interesses, uso irregular de recursos previdenciários e omissão diante de possíveis irregularidades na gestão do banco. Os parlamentares também questionam a atuação do Banco Central na fiscalização da instituição.
As suspeitas ganharam força porque Peña foi acionista do grupo empresarial que controlava o Ueno Bank até março de 2025. O presidente nega ter participação direta na instituição financeira. As acusações ainda estão em apuração e não representam uma condenação.
Durante a apresentação da acusação, a deputada oposicionista Rocío Vallejo criticou a condução do caso e responsabilizou politicamente o presidente pelos prejuízos causados aos clientes. A oposição sustenta que houve falhas do governo na proteção dos depositantes e na fiscalização do banco.
Peña, por sua vez, afirmou que os responsáveis por eventuais irregularidades deverão responder à Justiça. Ele também pediu que os setores políticos priorizem os interesses dos poupadores e apoiou medidas para acelerar a devolução dos valores retidos.
Devolução do dinheiro aos clientes
Enquanto o Congresso discute o futuro do presidente, o Banco Central começou a liberar pagamentos do Fundo de Garantia de Depósitos para um primeiro grupo de clientes do Ueno Bank.
Nesta etapa, estão incluídos correntistas com depósitos de até 10 milhões de guaranis, equivalente a cerca de US$ 1.565, que não tenham dívidas com a instituição e possuam conta em outro banco para receber os valores.
A crise também levou à abertura de investigações criminais sobre a atuação de dirigentes do banco e de autoridades públicas. O Ministério Público paraguaio informou que apura questões relacionadas à supervisão da instituição, à destinação de recursos públicos e à condução do processo de intervenção.





















