Das aprovações em concursos, ele optou pela carreira no Judiciário

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(Foto: divlgação Ascom TJ-MS)

Nelson Ávila da Rosa era um jovem concurseiro na iminência de assumir uma vaga como escrivão da Polícia Federal e trabalhando há sete meses no IAPAS, atual INSS, quando foi chamado para assumir a vaga de Auxiliar Judiciário do TJMS. Em pouco tempo de atuação na Justiça sul-mato-grossense, foi chamado para a tal vaga na PF, mas namorando firme na época e já com um cargo de chefia dentro do Judiciário, optou pela carreira no TJ. Além de estar contente na profissão, também não queria se arriscar numa lotação distante pelo país e isso o afastar de sua amada.

Uma escolha que, para ele, não amargou nenhum arrependimento ao longo de seus 36 anos de trajetória. Fora que a tal pretendente que fisgou seu coração se tornou sua grande companheira de vida e estão juntos há mais de 41 anos.

Sua lotação inicial foi na administração do Tribunal de Justiça, se tornando pouco tempo depois chefe do Setor de Patrimônio. Num Tribunal recém-criado, foi incumbido de fazer o cadastramento/tombamento de todos os materiais permanentes. Viajou por todas as cidades onde havia um Fórum em atividade. A maioria dos deslocamentos era em estrada de chão. O pouco asfalto se limitava a trechos até Dourados e Três Lagoas.

Ele e sua equipe setorizaram cada região do Estado e o cronograma era feito para percorrem cinco, seis até sete cidades em uma semana. Conciliava o novo ofício com os estudos para concurso, almejando cargos melhores dentro do próprio TJ. Foi assim que logo em seguida foi aprovado para Técnico Judiciário e, em 1983, tomou posse já como escrivão, quando passou a atuar no Fórum de Campo Grande, local onde permaneceu por mais de duas décadas.

Dentro das possibilidades de concurso, conta Nelson, ele foi até onde o ensino médio permitia. Só não prestou concurso para Juiz porque lhe faltou a faculdade de Direito.

E aos poucos as coisas estavam começando a melhorar. Num tempo onde não havia facilidade de financiamento de veículos, conseguiu comprar seu primeiro carro à vista. Carro que costumava estacionar na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em frente ao Fórum.

O córrego não era coberto nesse tempo e as enchentes na região eram comuns. Uma delas quase levou seu patrimônio recém-conquistado se não fosse a ação dos bombeiros que o seguraram por cordas. Guinchado até sua casa, levou de carona uma cobra no para-choque e com muita mão de obra conseguiu recuperar o veículo.

Anos depois, escrivão experiente do Fórum, foi convidado pelo então Juiz Dorival Renato Pavan a atuar na 3ª Vara dos Juizados Especiais, quando da criação dos Juizados. A 3ª Vara funcionava num prédio alugado na Rua São Borja e depois mudou para o bairro Mata do Jacinto.

Trabalhou também na 2ª Vara Criminal dos Juizados, na Avenida Costa e Silva, até a inauguração do Juizado Central de Campo Grande, em 2008, na Rua Joaquim Murtinho, bairro Itanhangá Park, aglutinando diversas varas num só lugar e reformulando o atendimento nos juizados.

Depois de tantos anos de atuação como escrivão de varas criminais e cíveis do Fórum e também dos Juizados, Nelson foi convidado a atuar no recém-criado Setor de Atermação do Juizado Central. O serviço era diferente, pois já não tinha tanta responsabilidade como comandar um cartório. Como sempre foi comunicativo, não teve dificuldades de cumprir seu expediente agora em contato praticamente o tempo todo com o público. Quando solicitado, prestava apoio e orientações a um colega, dada a vasta experiência acumulada como escrivão.

Pai de três filhos, sempre foi o responsável pelo sustento da casa. Para ajudar a complementar a renda, o gosto pela culinária o levou ao ramo da produção de pratos à base de peixe que fazia e atendia encomendas nos fins de semana. Renda extra muito bem-vinda sobretudo quando seu filho mais velho foi fazer faculdade de medicina no Paraguai.

Do vasto cardápio que dispunha, recebia encomendas dos colegas para a Semana Santa e outras ocasiões especiais. Também foi contratado para eventos para mais de 100 pessoas no Sindijus, onde também se divertia com os colegas do Judiciário nas partidas de futebol, além de cozinhar em festas particulares para Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores.

De sua vida como servidor público, Nelson avalia que fez sua parte e que foi seu maior momento, tratando a todos muito bem, desde o faxineiro ao Desembargador, e até hoje, por onde vai, acredita que não é mal visto pois é sempre muito bem recebido pelos ex-colegas e Magistrados com quem trabalhou.

E fez o que gostava. Fez muitos amigos também. Avô de 11 netos, curte hoje a aposentadoria ao lado de sua companheira com quem fez questão de posar para a foto de sua história no Judiciário, pois foi sua parceira também no trabalho, dando retaguarda na criação dos filhos, carona quando preciso e apoio sempre.

Fonte: Ascom TJ-MS