Quem visita a Igreja de São José, no centro de Campo Grande, certamente já deve ter visto um jazigo com dezenas de manifestações de devotos pelas graças alcançadas e atribuídas ao Padre João Crippa. Agora, passados mais de 70 anos de sua morte, o religioso ganhou mais notoriedade e chegou até os corredores da sede da Santa Igreja Católica, no Vaticano, passando a ser reconhecido como o primeiro “servo de Deus” de Mato Grosso do Sul.
O título é o marco inicial de um processo de canonização, ou seja, é a primeira etapa de um longo caminho para que seja declarado santo. É o mesmo que ocorreu recentemente com Carlo Acutis, cujo um dos dois milagres reconhecidos pela Igreja Católica ocorreu com uma criança residente em Campo Grande.
No caso de Crippa, há cerca de três anos, os relatos e pedidos de fiéis levaram a Paróquia de São José, por meio do pároco padre Paulo Roberto, a acionar a Arquidiocese de Campo Grande, e o arcebispo Dom Dimas Lara Barbosa instituiu uma comissão preliminar para estudar a vida, as virtudes e a obra do sacerdote.
Agora, com a declaração de Servo de Deus, abre-se oficialmente a investigação sobre a prática de virtudes heroicas — etapa seguinte, se aprovada, confere o título de Venerável. Depois, a beatificação exige a comprovação de um milagre por sua intercessão; a canonização é a etapa final, que precisa de pelo menos dois milagres reconhecidos pela Igreja. O processo pode durar vários anos.
Vida dedicada ao ensino e à fé
O assunto ganhou a imprensa local e, rapidamente, muitas pessoas que sequer conheciam a história desse personagem em Campo Grande passaram a pesquisar mais e até mesmo se interessar pela vida e pela obra do padre.
O Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul conta que o padre é natural da Itália, mas em local exato não identificado. Nascido em 1861, João Crippa ingressou na congregação salesiana e chegou ao Brasil, atuando no Uruguai e no estado de Mato Grosso (uno).
Somente na década de 1920 chegou a Campo Grande, onde fundou o Colégio de Nossa Senhora Auxiliadora, ajudou a estruturar o Colégio Dom Bosco e idealizou a Igreja São José, cuja pedra fundamental lançou, mas não chegou a ver concluída, pois faleceu anos antes.
Além da formação religiosa, lecionou para crianças, jovens e adultos analfabetos. Foi transferido para Três Lagoas, onde faleceu em 1º de agosto de 1941, aos 80 anos. Dez anos depois, a pedido da população, seus restos mortais foram trazidos de volta.
Desde então, repousam na Igreja de São José, situada na Rua Pedro Celestino, 1446. O local atrai devotos frequentemente, que prestam homenagens e fazem pedidos de intercessões. Muitos afirmam que já foram agraciados pelo sacerdote.
Na Carta Mortuária do Padre João Crippa encontram-se palavras que traduzem sua fé inabalável: “Morreu, após ter-se oferecido até o fim no trabalho, desapegou-se de tudo para favorecer o povo e o Oratório Festivo para os filhos do povo”.
Conforme explicou a Arquidiocese Metropolitana, o processo segue agora com a apresentação das virtudes heroicas à Igreja. A abertura oficial do inquérito diocesano será realizada às 18h de terça-feira (20), na Paróquia São José.





















