Testes com vacina da Oxford no Brasil começaram no último final de semana REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

Tecnólogo em radioterapia se inscreveu para o estudo com a vacina da Oxford sem saber como seria o processo; ele aguarda resposta sobre convocação

O técnologo em radioterapia Gabriel*, 35, resolveu se candidatar como voluntário para os testes com a vacina contra a covid-19 realizados na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) porque, na opinião dele, esse ato “é mais que obrigação” dos profissionais de saúde para que “as coisas evoluam”.

Essa é a primeira vez que ele se dispõe a participar de testes como esse. Impulsionado pelo sentimento de dever, Gabriel se inscreveu sem saber como funcionaria o processo.

Agora, enquanto espera o chamado para a confirmação de que foi selecionado, vive a expectativa para saber se será cobaia de uma experiência que pode conter a maior pandemia dos últimos tempos.

“Eu me inscrevi sem saber do geral. Tenho ciência de que é um teste, tem reações adversas, mas foco mais na parte positiva. Não tenho medo, não”, afirma com confiança. “Gostaria, sim, de ser chamado para que seja acelerado o processo de estudo. Estou só na expectativa que dê tudo certo para a gente passar por isso logo”, acrescenta.

A vacina chamada ChAdOx1 nCoV-19 é um dos mais avançados experimentos científicos contra o coronavírus no mundo hoje. Ela já está sendo produzida em massa na Índia, na Suíça, na Noruega e também no Reino Unido, onde foi criada por pesquisadores da Universidade de Oxford.

Os testes com voluntários brasileiros começaram no último final de semana, de acordo com nota divulgada em 22 de junho pela Fundação Lemann, que financia o projeto.

Ao todo, serão 2 mil voluntários em São Paulo e mil no Rio de Janeiro, onde os testes serão realizados pela Rede D’Or e pelo Instituto D’Or (Idor). Todos os escolhidos são da área de saúde e têm entre 18 e 55 anos.

Uma parcela dos voluntários vai receber uma outra vacina, usada contra meningite, que provoca sintomas parecidos. Este será o grupo de controle, usado para comparar e contrastar as duas vacinas. Os voluntários não serão informados sobre qual vacina estão recebendo.

Eles vão preencher pela internet um diário ao longo de sete dias relatando seus sintomas e serão monitorados por três semanas para qualquer mal-estar. Além disso, farão exames de sangue constantes para determinar se a vacina está sendo eficaz em produzir uma resposta imunológica.

*Nome alterado a pedido do entrevistado

Fonte: R7

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