Em convenção do PT, Lula lança candidatura e diz que fará “briga” com emendas parlamentares

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Lula com a primeira-dama, Janja, durante convenção do PT em São Paul (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Presidente confirmou participação na eleição de 2026, criticou o financiamento dos partidos e apresentou prioridades para um eventual quarto mandato

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou neste domingo (2), durante convenção nacional do PT em São Paulo, sua candidatura à reeleição e afirmou que esta será a última disputa eleitoral de sua trajetória política. Em um discurso voltado à militância e aos partidos aliados, Lula defendeu o legado de seu governo, prometeu enfrentar temas como as emendas parlamentares e o financiamento dos partidos, além de apresentar prioridades para um eventual novo mandato.

Ao falar sobre os desafios de um possível quarto mandato, o presidente disse que pretende promover mudanças na relação entre os Poderes e criticou o volume de recursos destinados aos fundos partidários. Segundo Lula, o modelo atual incentiva práticas que, na avaliação dele, prejudicam o funcionamento das legendas.

“Esse negócio de fundo partidário não me agrada. Porque isso está levando os partidos políticos à promiscuidade. A minha quarta presidência é para mudar muita coisa neste país. Vai ter briga com emenda parlamentar, vai ter briga com o papel do Poder Legislativo”, afirmou durante a convenção.

O presidente também declarou que pretende adotar uma postura mais firme caso seja reeleito. Em tom descontraído, afirmou que não será o “Lulinha paz e amor”, mas sim o “Lulinha porreta”. Apesar disso, reconheceu que governar exige conciliação e que nem sempre é possível atender a todas as demandas da população.

Violência contra a mulher

Durante o discurso, Lula também abordou a violência doméstica e disse que não deseja o apoio eleitoral de homens que agridem mulheres.

Segundo o presidente, o combate à violência de gênero deve continuar entre as prioridades do governo. Ele também ressaltou investimentos realizados por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), afirmando que a maior parte dos estados recebeu obras ou equipamentos financiados pelo programa.

Educação, idosos e programas sociais

Ao defender uma nova candidatura, Lula afirmou que pretende concentrar esforços na educação e em políticas voltadas aos idosos. O presidente citou programas como o Pé-de-Meia, voltado à permanência de estudantes no ensino médio, e destacou investimentos na indústria, no BNDES e na retomada da demarcação de terras indígenas.

“Sou candidato pela quarta vez para resolver definitivamente o problema da educação neste país. Também quero pagar a dívida que temos com os idosos”, afirmou.

Defesa nacional e planejamento

Em outro trecho da fala, Lula defendeu o fortalecimento da indústria nacional de defesa em meio ao cenário internacional. Sem citar diretamente países específicos, disse que o Brasil precisa estar preparado para proteger sua soberania e evitar qualquer ameaça externa.

O presidente também afirmou que o país necessita de um planejamento de longo prazo, com definição de prioridades para os próximos 10 a 15 anos, abrangendo áreas como infraestrutura, desenvolvimento econômico e inclusão social.

Alckmin critica tentativa de golpe

Durante a convenção, o vice-presidente Geraldo Alckmin também discursou e criticou adversários políticos que, segundo ele, não aceitaram o resultado das eleições de 2022. Sem citar nomes, afirmou que aqueles que questionam a vontade popular não deveriam disputar a Presidência da República.

A convenção confirmou ainda a coligação que apoiará Lula nas eleições de 2026, formada pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), além de PSOL, Rede, PSB e PDT.