Dados do Painel do Relatório de Transparência Salarial, divulgados nessa semana, reveleram que, em Mato Grosso do Sul, 652 estabelecimentos com 100 ou mais empregados registrados até dezembro de 2025 eram responsáveis por 226,1 mil vínculos empregatícios. Desses, 83 mil eram ocupados por mulheres, sendo 50 mil negras (60,2%) e 32,9 mil não negras (39,6%). O levantamento apontou ainda que os homens empregados somavam 143,1 mil, dos quais 95,1 mil negros (66,4%) e 48 mil não negros (33,5%).
Sobre a remuneração média das mulheres nesses estabelecimentos, o Painel revela que foi de R$ 3.065,70, contra R$ 4.151,02 dos homens. As mulheres negras tiveram rendimento médio de R$ 2.658,43, enquanto as não negras foi de R$ 3.706,03. Já os homens negros receberam, em média, R$ 3.701,36, e os não negros, R$ 5.067,47.
No estado, em 2026, 24,1% dos estabelecimentos com 100 ou mais empregados têm políticas de incentivo à contratação de mulheres. São 6,1% com incentivo à contratação de mulheres vítimas de violência doméstica; 15% têm incentivo à contratação de mulheres LGBTQIAP+; 17,6% à contratação de mulheres com deficiência; e 18,2% para contratação de mulheres negras.
No Brasil, o estudo aponta que as mulheres receberam, em 2025, em média, 21,3% a menos que os homens no setor privado com 100 ou mais empregados, percentual que subiu em relação a 2023, quando era de 20,7%. Em 2025, o salário médio das mulheres no momento da admissão esteve cerca de 14,3% abaixo do registado para os homens, percentual igualmente superior aos 13,7% verificados em 2023.
Ainda no cenário nacional, o número de mulheres pretas e pardas empregadas nesses estabelecimentos cresceu 29% entre 2023 e 2025, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões, o equivalente a mais de 1 milhão de novas contratações. Já o crescimento do emprego na soma total de mulheres foi de 11%, passando de 7,2 milhões para 8,0 milhões, um aumento de 800 mil empregadas no período.
O número de estabelecimentos com mulheres em cargos de gerência e direção em quantidade suficiente para cálculo de paridade salarial cresceu 12%, alcançando 13,7 mil empresas. Houve também aumento no número de empresas que afirmam promover mulheres e apoiar políticas de parentalidade, indicando maior incorporação de práticas voltadas à permanência e à ascensão profissional feminina.
Entre as iniciativas afirmativas, 7% dos estabelecimentos informaram manter políticas de contratação de mulheres vítimas de violência, com destaque para os estados de Minas Gerais e Espírito Santo. As empresas com mais de mil empregados são as que mais adotam esse tipo de medida, demonstrando o papel estratégico do setor produtivo na promoção da inclusão social.
“Quando nós defendemos a igualdade salarial, não estamos defendendo puramente aquele número nominal de valor do salário das mulheres e homens numa empresa. Nós estamos falando da função que essa mulher está, das condições de trabalho em que ela se encontra, dos direitos que ela já tem garantidos e que muitas vezes não são cumpridos”, afirmou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.





















