Emprego, Salários e Direitos, a realidade do retrocesso

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07/02/2020 09h30
Por: André Luiz

Fomos bombardeados por uma série de informações que nos levaram a votar em determinada direção, culminando na destruição dos direitos e garantias. O emprego decente se torna um sonho, não mais uma realidade, e passa a ser um pesadelo para muitas famílias. O próprio presidente afirmou que os trabalhadores devem escolher se querem um emprego ou direitos. Como se fosse incompatível emprego com direitos.

O perfil do atual ministro da economia, Paulo Guedes (um baqueiro), impõe uma condição desfavorável, impondo regras que impactam significativamente na fórmula para o cálculo do salário mínimo. Acabou a política e valorização do salário mínimo, que agora será corrigido, quando muito, para repor a inflação. Isso num país onde parte significativa dos trabalhadores ganha o salário mínimo, que também é referência para a aposentadoria. Ou seja, trata-se da volta do arrocho salarial para os da ativa e aposentados.

O Brasil vive uma crise de identidade e a pobreza volta a rondar o imaginário na maioria da população. O poder de compra do trabalhador começa a sentir os impactos desta destruição

A pergunta que não quer calar: quanto valeu seu voto para os dados que foram apresentados?

A informalidade aumenta, com milhões trabalhando sem direito algum. O tal “empreendedorismo” se tornou uma armadilha e as pessoas se tornaram ingênuas, pensando que empregos sem direitos é bom para o trabalhador.

Anos anteriores ao golpe, a população buscava galgar novos horizontes, com perspectivas para a realização de um sonho. A busca por ensino superior era a meta de muitos estudantes. Por um período tivemos a possibilidade de ascensão e a busca de melhores condições de trabalho e salário, mas isso foi jogado por terra para parte de nossa sociedade. Aumento da escolaridade já não significa a possibilidade de melhores salários e direitos na atual conjuntura política. A proposta do atual governo deixa trabalhadores em níveis iguais, mesmo tendo grau de instruções elevado, colocando todos para disputar o mercado de trabalho com baixa remuneração. Isso é bom para o empresariado, mas e para o trabalhador?

Trabalhadores com ensino médio completo passaram de 7,7 milhões para 9,6 milhões ganhando salário mínimo. Com curso superior, de 700 mil passaram para 1,2 milhões de pessoas, também ganhando o mínimo. O contingente de pessoas sem instrução caiu de 13 milhões para 11,3 milhões. Pessoas com apenas o ensino fundamental passou de 5,4 milhões para 5,1 milhões. O quadro diante de tais mudanças na atual crise é, que pessoas com mais estudo estão disputando vagas com pessoas de menor escolaridade.

A ingenuidade da população vai impedir o Brasil a voltar a crescer novamente…

*André Luiz. Diretor de Combate ao Racismo e Discriminação do SINTECT-MS

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