Você sabe qual é a quantidade de queda de fios de cabelo por dia considerada normal? E o especialista que cuida disto, sabe qual é? Alopecia, já ouviu falar sobre este assunto? Caso algum colega de trabalho tenha alopecia, você sabe como auxiliá-lo?  

A alopecia provoca a queda de cabelos e pelos entre homens e mulheres em qualquer parte do corpo. Essa condição pode surgir por influências do estado emocional, genético, traumas físicos e quadros infecciosos. 

Para saber mais sobre este assunto o Dr. Alexandre Moretti, dermatologista da Unimed Campo Grande, e Fernanda Lima, empresária, diagnosticada com alopecia areata, falam de informações importantes. Confira! 


O que é alopecia?  

Dr. Alexandre Moretti 

É a perda de pelos e cabelos, de qualquer parte do corpo. Temos vários tipos de alopecia, a mais comum é a androgenética, que nada mais é que a calvície, masculina ou feminina.  

Alopecia androgenética 

Dr. Alexandre Moretti 

É quando ocorre uma miniaturização e afinamento do fio, principalmente nos homens, por conta da testosterona e di-hidrotestosterona, especialmente em áreas do couro cabeludo. Nas mulheres o porquê ocorre, a fisiopatogenia, ainda é incerta. Os que têm essa condição geralmente possuem uma história familiar, é algo genético.  

Existem também pacientes que começam a ter a alopecia androgenética de forma mais precoce, geralmente após a puberdade. Eu já tive, por exemplo, pacientes de 12, 13 anos, com queda de cabelo.  

Nos homens o padrão de queda são as entradas e o cocuruto, já nas mulheres as quedas costumam ser difusas, na risca do couro cabeludo e vai abrindo nas laterais, ocorrendo uma queda progressiva.   

Alopecia areata 


Dr. Alexandre Moretti 

É uma doença autoimune caracterizada pela perda de cabelo ou de pelos em outras partes do corpo (cílios, sobrancelhas, barba).  

Existem quatro tipos dessa doença:  

– Unifocal: quando há apenas uma falha 

– Multifocal: o paciente que tem várias falhas 

– Total: o paciente que perde o couro cabeludo inteiro 

– Universal: aqueles que perdem os pelos do corpo inteiro 


Quanto mais vai progredindo, mas grave fica a doença e mais difícil de tratar.  

Tem cura? 

Dr. Alexandre Moretti 

Depende da causa. No caso da androgenética, não tem cura. Já a areata depende da extensão, tem pacientes que repilam (isto é, o nascimento dos pelos) e depois cai de novo, já outros que ocorre a repilação, mas não acontece mais nada, continuam com o cabelo. 

Heflúvio telógeno agudo 

Dr. Alexandre Moretti 

O assunto é alopecia, mas há também o heflúvio telógeno agudo, que é a queda abrupta de cabelo depois de algum evento traumático, principalmente em casos quando há a ocorrência de infecções, como exemplo a Covid-19 e a dengue.  

Quando a queda deixa de ser normal? 

Dr. Alexandre Moretti 

A queda de cabelo já é um aviso que há algo que não está legal. Geralmente o paciente percebe a queda no travesseiro, no banho, ao passar a mão no cabelo e sentir que cai muitos fios. Se você tracionar a mão e cair mais de seis fios é porque algo está errado. Por dia a média é cair menos de 50 fios, se esse número for maior é porque há algum problema que deve ser investigado.  

Estresse 

Dr. Alexandre Moretti 

É o desencadeador, ele nunca age sozinho e está muito relacionado com alterações do sono. O paciente que não dorme bem e fica acordando várias vezes à noite, pode ter uma queda de cabelo mais acentuada. 

Vivendo com leveza 

Fernanda Lima 

Tudo começou em meados de 2018 quando estava arrumando meu cabelo e encontrei duas falhas atrás da orelha. Fiquei bem assustada, na época isso nem era falado ainda. Fui até a dermatologista, fiz exames, fui encaminhada para um endocrinologista também, e o diagnóstico de alopecia areata foi fechado. 

Meu processo da queda de cabelo não foi nada natural. Na verdade, foi extremamente difícil. Na época o que eu mais amava eram meus cabelos e perdê-los foi muito sofrido.  

Do momento do diagnóstico até a queda total dos meus cabelos, foram quatro anos, tanto os fios de cabelo como os pelos de todo o corpo, apenas cílios e sobrancelhas que eu não perdi por completo. Quando eu me olhava no espelho tinha dificuldade de encontrar minha identidade, e nessa hora eu vi como é importante ter uma fé, além do apoio da família e amigos. Inclusive meu esposo, irmã (gêmea) e pai rasparam a cabeça em apoio.  

Desde então eu falo da alopecia areata nas minhas redes sociais, acho importante informar as pessoas, pois muitos não sabem sobre isso. Com isso fui descobrir o tanto de mulheres que passam pelo mesmo. Me uni a elas, mandava mensagem e mostrei a minha história, isso amenizou a minha dor e a delas também.    

Aprendi com tudo isso também, o quão importante é nos cuidarmos, seja da alimentação ou das nossas emoções. Hoje o que eu vivo é mais leve para mim. Meus cabelinhos já estão crescendo, o que me alegra muito. Encontrei muitas formas de me sentir bonita depois que perdi todo meu cabelo. Isso me fez descobrir uma nova Fernanda.  

Recado! 

Fernanda Lima 

Ninguém quer perder o cabelo, mas precisamos entender que não é isso que faz de nós quem somos. Nossa identidade não está atrelada ao cabelo, mas sim a quem somos de fato. Busque ajuda médica, faça o tratamento correto e cuide de suas emoções.  

Dr. Alexandre Moretti 

Queda de cabelo é uma queixa muito comum no consultório e quem tem isso precisa buscar ajuda médica para chegar a um diagnóstico correto. É importante ter também o acompanhamento com uma equipe multidisciplinar, pois caso precise da ajuda de outro profissional vamos encaminhar o paciente para que ele seja acompanhado em conjunto.  

Para saber mais sobre o assunto acompanhe o episódio O QUE É ALOPECIA? do podcast Cuidar de Você, da Unimed Campo Grande. Basta acessar nosso Spotify (https://bit.ly/PodcastUnimedCG) e Youtube (https://bit.ly/PodcastUnimedCGYoutube).  

Fonte: Ascom Unimed CG

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