Escolas da Rede Estadual rompem barreiras para promover inclusão e ajudar alunos no aprendizado

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Fotos: Divulgação/SED

O fluxo de cidadãos venezuelanos vindo para o Brasil cresceu muito nos últimos anos. Por isso, um estudante sem falar português pode ficar de fora das aulas, das amizades e das conversas do recreio por um longo período.

Tem ainda o estudante surdo que não se sente incluso quando o material pedagógico foi pensado para quem aprende pelo som, não pelo olhar, como é o seu caso.

Em ambos os casos o entrave não é o conteúdo. É a comunicação. E foi exatamente essa barreira que duas iniciativas da Rede Estadual de Ensino decidiram derrubar, cada uma à sua maneira. Porque a inclusão não é apenas abrir os portões da escola. É garantir que, quem entra, encontre um lugar onde realmente seja pertencente.

Quando idioma é a segunda fronteira

Em Campo Grande, treze estudantes estrangeiros, maioria venezuelanos, chegaram na Escola Estadual Maestro Frederico Liebermann nos últimos anos, com uma mochila cheia de histórias e uma dificuldade latente: o idioma.

Todos com mais de dez anos de idade encontraram uma sala de aula onde tudo é dito numa língua que mal compreendem, mas tentam aprender matemática, história e ciências ao mesmo tempo. Algo precisava ser feito.

Assim, nasceu o projeto ‘Novo Lar, Novos Saberes’, uma iniciativa piloto que ensina português além da disciplina, mas como idioma de acolhimento. Como uma ferramenta de comunicação, integração social e construção de identidade em um novo lugar.

A estudante G.N.R. do 5º ano chegou da Venezuela há seis meses e já sente a diferença. “É muito bom pra gente melhorar nosso português, especialmente para alguns estudantes que chegaram sabendo menos que eu”, conta.

Na Frederico Liebermann, a inclusão começa pelo acolhimento. “Quando um estudante que chegou sem entender uma palavra começa a se expressar, a fazer amigos e a participar das aulas, a escola cumpre seu papel, garantindo que todos encontrem um lugar de pertencimento”, destacou a diretora Ana Elisa Spazzapan.

Escolas da Rede Estadual rompem barreiras para promover inclusão e ajudar alunos no aprendizado

Quando o silêncio vira barreira

Do outro lado da cidade, o Centro de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez, o CAS, enfrentava uma barreira diferente. Como incluir estudantes surdos entregando mais do que intérpretes de Libras?

A tarefa exigiu professores capazes de criar materiais pedagógicos acessíveis, visuais e interativos, pensados para quem aprende pelo olhar. Com esse propósito, a SED realizou um encontro (formativo) voltado aos professores do Apoio Pedagógico Especializado, que atuam com estudantes surdos na Rede Estadual.

Com foco em tecnologia e acessibilidade e produção de materiais pedagógicos para estes estudantes, os professores aprenderam ferramentas digitais disponíveis na plataforma Edutec, da SED (Secretaria de Estado de Educação).

Dinâmicas em libras fortaleceram o uso da língua brasileira de sinais como instrumento pedagógico real e não apenas protocolar. Foram debatidos temas do cotidiano profissional como ética, registros pedagógicos e vínculo com a família.

“Fico feliz em recebê-los para mais um momento de formação, de qualificação permanente, que mantém nossos estudantes surdos sempre no centro das discussões e das ações pedagógicas”, comentou a gerente pedagógica do CAS, Daniela Silva da Costa.

Escolas da Rede Estadual rompem barreiras para promover inclusão e ajudar alunos no aprendizado
Professores aprenderam ferramentas digitais para ajudar na inclusão

Onde o estudante estiver

Com a extensão territorial e diversidade regional do nosso Estado, levar formação até onde o professor está não é um detalhe, é estratégia que levou o encontro a ser realizado de forma híbrida, presencial em Campo Grande e remoto para professores do interior, integrando diversas coordenadorias regionais de educação.

O que une essas duas histórias

Uma escola que ensina português para venezuelanos e um centro que forma professores para atender estudantes surdos são iniciativas diferentes, mas partem do mesmo princípio de que a comunicação é a base de tudo.

Quando ela falha, a exclusão começa. Quando ela funciona, a inclusão acontece. Em Mato Grosso do Sul, a escola estadual está aprendendo a falar todas as línguas que seus estudantes precisam ouvir.