Estado anuncia redução da alíquota do ICMS da energia, mas em proposta tímida diz especialista

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O governo do Mato Grosso do Sul anunciou nesta quinta-feira (19), a intenção de reduzir em dois pontos percentuais a alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) cobrado, pelas administrações estaduais, dos consumidores residenciais e comerciais de energia elétrica.Estado anuncia redução da alíquota do ICMS da energia, mas em proposta tímida diz especialistaEstado anuncia redução da alíquota do ICMS da energia, mas em proposta tímida diz especialista Contudo, medida ainda precisa ser aprovada pela Assembleia Legislativa, e especialistas apontam ser baixa a proposta e até ‘tímida’ ante dimensão dos números e realidade da população. Em nota, o governo estadual aponta que deixará de arrecadar cerca de R$ 18,4 milhões em ICMS caso a proposta seja aprovada.

A proposta do governador Reinaldo Azambuja, segundo seu governo, é inédita e, atende a pedidos de entidades representantes do setor produtivo, beneficiando a todos os consumidores. A medida, que ainda precisa ser aprovada pelo Legislativo, e chefe do Executiva, acredita que aprovará, vigoraria pelo tempo que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mantiver acionada a bandeira vermelha, a mais cara do sistema instituído em 2015, para permitir ao consumidor calcular o quanto ele pagará por kilowatt-hora (kWh) consumido em determinado período.

“Desde maio, o Brasil está na bandeira vermelha por causa da crise hídrica. A energia cara acaba impactando os custos de produção de alguns segmentos econômicos e também o orçamento doméstico. Por isso, vamos encaminhar esse projeto com urgência para começar a valer em setembro”, afirmou o governador, apostando que os deputados estaduais aprovarão a iniciativa.

Segundo o governador, dividida em dois patamares (1 e 2), a bandeira vermelha está em vigor em todo o território nacional desde maio. E em junho, piorou, pois a Aneel acionou o patamar 2. Segundo a agência, o menor volume de chuvas durante o período úmido dos anos 2020/2021 prejudicou os principais reservatórios d´água e, consequentemente, a produção hidrelétrica, exigindo o acionamento do parque termelétrico, o que encarece a produção.

Projeto de lei a enviar a AL-MS seria ‘tímido’

O projeto de lei que ainda será enviado à Assembleia Legislativa prevê a redução do percentual do ICMS cobrado de pequenos consumidores (1 a 200 kWh) dos atuais 17% para 15%. Para os que consomem de 201 a 500 kWh, a alíquota cairá de 20% para 18%. Já para aqueles cujo consumo mensal ultrapasse os 501 kWh, o percentual passará de 25% para 23%.

Representante da Associação Brasileira da Cidadania e do Consumidor de Mato Grosso do Sul (Abccon) no conselho estadual de Consumidores da Área de Concessão da Energia (Concen), Erivaldo Pereira Marques disse que a proposta é boa, mas tímida.

“Esta iniciativa é positiva, mas é só um começo. Seria importante discutirmos o porquê da redução apenas na bandeira vermelha, apenas esporádica. Por que não discutirmos, de forma transparente, sua aplicação em todas as tarifas. Temos que amadurecer esta discussão e nacionalizá-la para que haja uma redução da tarifa básica”, comentou Marques.

Mas, o coordenador do Programa de Energia e Sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Clauber Leite também defendeu que a iniciativa sul-mato-grossense sirva de exemplo para que outras unidades federativas adotem medidas assim ou mais ‘agressivas’.

“O Idec entende que a medida é adequada, mas deveria ser mais ampla. Isso não só devido ao peso cada vez maior das tarifas de energia sobre o orçamento da maioria das famílias brasileiras, como pelo fato de a cobrança de ICMS sobre o valor das bandeiras tarifárias ser ilegal, já que o fato gerador do imposto deve ser a circulação de mercadorias (mudança de titularidade) ou a prestação de serviços. Portanto, o ICMS deveria ser norteado pela energia efetivamente usada pelo consumidor, não pela cobrança de uma taxa, como é o caso da bandeira”, argumentou Leite.