A Programação do Evento contempla Rodas de Conversa nos dias 23 a 26 de Novembro

O Centro de Estudos, Pesquisa e Extensão em Educação, Gênero, Raça e Etnia (Cepegre) em parceria com a Rede de de Saberes da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) realiza nos dias 23 e 26 de novembro, sempre às 19h, evento online de extensão que abarcará Rodas de Conversa com acadêmicos e acadêmicas que ingressaram na Universidade pelo sistema de reserva de vagas. O evento ocorre em referência aos 17 anos de implantação da política de cotas na instituição. LINK PARA INSCRIÇÃO AQUI.

A UEMS foi a primeira e única universidade do Brasil a reservar 10% das vagas de todos os cursos para indígenas (em decorrência da Lei Estadual n. 2589 de 2002) e a segunda a designar 20% das vagas para negros (em atendimento à Lei Estadual n. 2.605 de 2003). Com o impacto das Ações Afirmações, a Universidade já foi premiada duas vezes como o prêmio nacional “Camélia da Liberdade”, que premia instituições que possuem políticas próprias de inclusão.

A atividade acadêmica tem o objetivo de promover o compartilhamento de experiências vividas no ambiente universitário, em especial, no que tange às estratégias de enfrentamento e superação das múltiplas expressões dos racismos estrutural, institucional e epistêmico. Além disso, espera-se que as discussões possam contribuir na elaboração e ampliação de políticas de permanência de estudantes cotistas na UEMS. A todos(as) que fizerem inscrição e acompanharem as Rodas de Conversa será garantido a emissão de Certificados de Participação.

Para a coordenadora do evento, profa. Dra. Cíntia Diallo, promover um encontro com cotistas negros(as) graduandos(as) e egressos(as) no mês da Consciência Negra tem um significado especial, “pois demonstra o quanto avançamos na luta pela Promoção da Igualdade Racial nos últimos anos. Neste processo não podemos deixar de considerar o protagonismo da UEMS ao ser a terceira Universidade a adotar o sistema de reserva de vagas para negros (pretos/pardos) e indígenas, que realizaram integralmente o Ensino Médio na Escola Pública”, explica Cíntia.

A atividade também oportuniza um momento de fala e de escuta atenta e sensível, sobre experiências vividas pelos/as cotistas no ambiente acadêmico. De acordo com Cíntia, “no que diz respeito, a construção de estratégias para enfrentamento e superação das múltiplas expressões da discriminação e do racismo. Tenho certeza as Rodas de Conversa vão contribuir na ampliação das Políticas de Permanências para cotistas na UEMS”, destaca.

A coordenadora do Cepegre/UEMS, profa. Dra. Beatriz dos Santos Landa, ressalta que “discutir o impacto da adoção do sistema de cotas para ingresso nos cursos de graduação da UEMS, após 17 anos de sua implantação, por meio das vozes daqueles segmentos que durante o processo histórico educacional do país foram sistematicamente impedidos de participar dos processos educativos, representa uma oportunidade de criar espaços de aprendizagem e diálogo para que sejam discutidas alternativas para tornar a universidade mais inclusiva e intercultural, a partir da escuta atenta de estudantes negros e indígenas cotistas”.

A ação promovida pelo Cepegre e pelo Programa Rede de Saberes, de acordo com Landa, abrange quatro rodas de conversas nas quais participarão tanto graduandos e graduandas quanto egressos e egressas que discutirão os desafios da permanência, as estratégias de articulação entre os saberes científicos e tradicionais, a inserção no mundo do trabalho, entre outros temas que contribuirão para a proposição de políticas institucionais que atendam estes segmentos nas suas especificidades.

Conheça alguns dos(as) participantes

Kellen Natalice Vilharva é egressa da Universidade. De etnia Guarani Kaiowá, tem graduação em Ciências Biológicas (UEMS/Dourados) e mestrado em Biologia Geral (UFGD). Ela também compõe o grupo de mulheres Arandu Kunha. A indígena informa que ingressou em 2013 na UEMS em Dourados por meio da política institucional de reserva de vagas. “Por ter entrado pelas cotas, vivenciado essa experiência e por saber a significância dela, sempre defendi a política de reserva de vagas. As cotas não existem por que somos menos inteligentes ou não temos capacidade para competir, as cotas são um direito nosso”, afirma Kellen. Tenho muitos amigos que se formaram na UEMS e que entraram pelas cotas indígenas. Agora, nós temos profissionais indígenas de diversas áreas nas aldeias e isso melhorou a qualidade de vida de todos da comunidade. Na Rede de Saberes, na época me senti muito acolhida pela professora Beatriz Landa e servidora técnica Dona Antônia. Isso fez muita diferença na minha jornada acadêmica”, conclui Kellen.

Outra integrante das Rodas de Conversa promovidas pelo Cepegre em parceria com a Rede de Saberes e que contará um pouco de sua experiência é a advogada Vivian Tomaz de Oliveira, egressa do curso de Direito da Universidade Estadual. Ela informa que ingressou na UEMS no ano de 2015, por meio da política de cotas raciais. Segundo Vivian, “a oportunidade que tive de ingressar na Universidade, apesar das dificuldades da permanência, foi importante para minha formação profissional e principalmente para o meu conhecimento crítico com relação à condição dos negrxs na sociedade brasileira”. A profissional formada pela UEMS também relata que atualmente ela “sabe o que uma advogada negra representa na estrutura racista e sexista do Judiciário. Tenho gratidão pela oportunidade que só foi possível após anos de luta do movimento negro”, reconhece Vivian.

Dentre os participantes do evento, também está programada a participação de Diego Pereira da Silva, egresso do curso de Pedagogia da UEMS de Paranaíba. Diego explica que, com a política de Cotas ingressou na UEMS em 2015, na segunda chamada da lista de espera no curso já referenciado. “Não compreendia sobre raça, gênero, política, nada e nem o que eu estava fazendo no curso de Pedagogia. Com tempo e estudo fui tomando consciência do lugar em que eu estava ocupando, quem eu representava na parcela da sociedade. Desta forma, esse direito me possibilitou conhecer o que é então a universidade; acessei o mundo do conhecimento, reelaborei a minha vida. Cada ano que passava, eu usufruía por completo meu direito de estar ali, de sentar na biblioteca, de ter oportunidade de estudar mesmo tendo apenas Direito e não Condição”, relata. Hoje, mestrando em Educação, no Programa de Pós-Graduação em Educação da UEMS/Paranaíba. Ele foi o primeiro aluno cotista (após aprovação da Política de Cotas para a pós-graduação na UEMS). Diego também é bolsista da CAPES.

Confira abaixo os Cartazes de Divulgação, com a descrição dos dias de evento e todos os participantes do evento.

Evento online da UEMS aborda a trajetória de alunos cotistas
Evento online da UEMS aborda a trajetória de alunos cotistas
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