Ex-secretário de Saúde de Dourados, Eduardo Marcondes (Foto: Maracaju Speed)

Com o surgimento do Coronavírus, voltou à tona uma falsa polêmica que aconteceu com o surgimento dos casos de microcefalia. Vacinar ou não vacinar? “Esta dúvida hamletiana não tem razão de ser. A vacina é, reconhecidamente, uma das maiores conquistas da Humanidade”, disse nesta terça-feira (30) ao EnfoqueMS o ex-secretário municipal de Saúde de Dourados, Eduardo Marcondes, médico pediatra que possui MBA em saúde pública.

Ele assinalou que desde que se tornou uma prática comum na sociedade, no século 18 (sendo que existem registros de métodos semelhantes praticamos na Ásia há mil anos), a vacina ajudou a salvar milhões de vidas apostando no uso da própria doença (uma porção enfraquecida do agressor). “É lamentável e perigoso esse renascimento do movimento “antivacinação”, que nasceu de uma fraude, disse o médico. “Uma força perigosíssima, vez que cria um alarmismo que, ao propagar que vacinar é perigoso, pode matar. A defesa da não vacinação deveria ser considerada crime contra a saúde pública’, defendeu.

A fraude citada por Marcondes e que gerou o movimento anti-vacinacão aconteceu em 1998, quando o britânico Andrew Wakefield publicou um artigo na revista médica “The Lancet” relacionando a vacina combinada contra sarampo, rubéola e caxumba (a chamada Tríplice Viral), com o desenvolvimento de autismo. Na realidade, o Dr. Wakefield havia falsificado e inventado dados de pesquisa (ele teve sua licença cassada mais tarde). Apesar da punição ao médico que gerou a polêmica e a retirada do artigo da revista, nas redes sociais, ainda hoje pessoas disseminam essa “notícia”.

”O que se sabe comprovadamente sobre as vacinas é que elas previnem, sim, contra doenças graves que poderiam trazer alto risco de morte ou sequelas graves. São, normalmente, doenças contagiosas que se disseminam rapidamente pela população – daí a escolha pela não-vacinação afetar não apenas uma família, mas a sociedade inteira, como no caso de uma Pandemia”, ponderou. Na Califórnia (EUA) acaba de ser aprovada uma medida que impede pais de vetar a vacinação de crianças por motivos como religião ou escolhas pessoais.

”Informações desencontradas, sem base científica ou a divulgação de notícias mal apuradas na mídia sobre reações a vacinas não ajudam em nada. O momento é de vacinar e não de alarmismo irresponsável, reforçou Marcondes, que defende a inclusão da vacinação contra o Coronavírus no calendário vacinal obrigatório de recém nascidos e crianças e, em casos de omissão dos pais, a aplicação das punições já previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na Constituição Federal no que tange a outras vacinas obrigatórias.

Por: Rozembergue Marques/Sucursal Dourados

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