Exército, Marinha e Aeronáutica devem ter novos comandantes a partir de janeiro

8
Lula deve trocar ministro da Defesa e comandantes das Forças Armadas em 2027 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Oficiais formados após 1985 aparecem entre os cotados para assumir as Forças; Cinara Fredo é apontada para substituir José Múcio

O início de 2027 poderá marcar uma nova fase na estrutura de comando das Forças Armadas brasileiras. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar, a partir de janeiro, novos chefes para o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. A mudança abrirá espaço para uma renovação geracional nas três instituições, com a possibilidade de oficiais que ingressaram na carreira militar após o fim da ditadura assumirem os principais postos da hierarquia militar.

A substituição deverá atingir os atuais comandantes general Tomás Paiva, do Exército; almirante Marcos Sampaio Olsen, da Marinha; e brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, da Aeronáutica. Os três estão à frente das respectivas Forças desde o início do atual governo e, segundo informações de bastidores, consideram que cumpriram o ciclo de suas funções e pretendem deixar os cargos.

A escolha dos substitutos ficará a cargo de Lula, que deverá considerar a experiência profissional, a trajetória e a posição dos oficiais na escala de antiguidade. Embora exista a tradição de apresentar ao presidente os nomes dos militares mais antigos de cada Força, a decisão final é do chefe do Executivo.

A possível renovação também tem um significado histórico. Os atuais comandantes concluíram a formação militar durante o governo de João Figueiredo, último presidente do regime militar brasileiro, que terminou em 1985. Com a mudança, oficiais formados posteriormente poderão assumir, pela primeira vez, simultaneamente os três principais comandos militares.

Veja quem são os nomes cotados para os comandos

No Exército, um dos nomes considerados para substituir Tomás Paiva é o do general Francisco Montenegro Júnior, atual chefe do Estado-Maior do Exército. Ele aparece entre os cotados para assumir a instituição, embora outros oficiais também estejam na disputa.

São mencionados ainda os generais Luciano Guilherme Pinheiro, Kleber de Vasconcelos e Hertz Pires do Nascimento, que estão entre os militares mais antigos do Alto Comando do Exército.

Outra possibilidade em discussão envolve o próprio Tomás Paiva. O atual comandante poderá ser aproveitado em outra função no governo, com a possibilidade de assumir o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República.

Na Aeronáutica, dois brigadeiros aparecem entre os nomes considerados: Walcyr de Castilho Araújo, atual chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, e Ary Soares Mesquita, secretário de Economia, Finanças e Administração da Força.

Para a Marinha, são citados os almirantes Arthur Fernando Bettega, submarinista e chefe do Estado-Maior da Armada, e Carlos Chagas Vianna Braga, comandante-geral do Corpo de Fuzileiros Navais.

Apesar das articulações, não há confirmação oficial sobre os escolhidos. A expectativa é que as indicações sejam definidas pelo presidente nas próximas semanas, com a efetivação das mudanças em janeiro.

Ministério da Defesa também deverá ter novo comando

A reorganização da cúpula militar deverá ocorrer paralelamente à saída de José Múcio Monteiro do Ministério da Defesa. O ministro já manifestou a Lula a intenção de deixar o cargo, abrindo espaço para uma mudança também no comando civil da pasta.

Entre os nomes considerados está o de Cinara Wagner Fredo, atual secretária-geral do Ministério da Defesa. Ela é apontada como a preferência de Múcio para assumir a função e deverá ter seu nome apresentado ao presidente.

Caso seja escolhida, Cinara se tornará a primeira mulher a comandar o Ministério da Defesa desde a criação da pasta, em 1999. A possibilidade também representa uma mudança na composição de uma área historicamente ocupada por homens.

De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, além de Cinara, outros nomes também são mencionados nos bastidores do governo, entre eles a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha, e a ex-ministra Simone Tebet.

A decisão caberá a Lula, que deverá avaliar as indicações antes de definir a nova composição da Defesa e dos comandos militares.

As mudanças previstas para janeiro fazem parte da reorganização da equipe do governo para o próximo período e poderão estabelecer uma nova configuração na relação entre o Palácio do Planalto e as Forças Armadas.