Exposição em Campo Grande revisita infância com pinturas e instalação sonora

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(Foto: Divulgação)

Mostra de Wendel Fontes reúne 21 obras e uma instalação com relatos de idosos sobre lembranças da infância; entrada é gratuita

Uma fotografia, uma brincadeira ou até um objeto aparentemente comum podem carregar lembranças que permanecem por décadas. É a partir dessa relação entre memória, infância e passagem do tempo que o artista visual Wendel Fontes constrói a exposição “O que permanece em nós?”, que será aberta nesta sexta-feira (2), às 19h, na Galeria Wega Nery, em Campo Grande. A entrada é gratuita e a abertura terá apresentação do grupo Vozmecê.

A mostra reúne 21 pinturas e uma instalação sonora produzidas entre 2023 e meados de 2026, após cerca de três anos de pesquisa e produção. Nas telas, cenas do cotidiano infantil são combinadas a elementos de imaginação e ficção, criando situações que transitam entre aquilo que parece familiar e o que causa estranhamento.

Crianças aparecem em momentos de brincadeira, descoberta e introspecção, mas a exposição não trata a infância apenas como uma lembrança idealizada. Perspectivas alteradas, cores intensas, objetos deslocados e sobreposições transformam cenas aparentemente comuns e propõem ao visitante uma observação mais demorada.

Para construir as pinturas, Wendel utiliza diferentes referências. Fotografias produzidas por ele, cenas de filmes e imagens encontradas na internet passam por colagens, rascunhos e sobreposições até se transformarem em novas composições.

O artista relaciona esse procedimento à própria maneira como as lembranças são construídas.

“Acredito que assim também são nossas memórias, são colagens de cenas que guardamos no meio das lembranças. Por isso penso que toda memória tem um pouco de ficção”, afirma Wendel.

Infância como ponto de partida

Na exposição, a figura da criança não representa somente uma fase da vida. Ela funciona como uma espécie de alegoria para experiências que continuam influenciando a vida adulta.

Para Wendel, desejos, angústias, formas de perceber o mundo e maneiras de enfrentar os desafios têm relação com experiências vividas nos primeiros anos de vida.

A proposta também está ligada à forma como o artista entende o próprio processo de criação. Em vez de trabalhar com pressa, ele afirma que procura respeitar o tempo necessário para que cada pintura se desenvolva.

Segundo Wendel, a obra se modifica durante a produção e exige momentos de pausa para que novas questões apareçam e sejam resolvidas.

Memórias que também podem ser ouvidas

Além das pinturas, a exposição apresenta uma instalação sonora criada a partir de uma árvore seca com aproximadamente 2,5 metros de altura.

Latinhas de alumínio foram penduradas nos galhos em referência à brincadeira do telefone sem fio. Por meio da instalação, o público poderá ouvir relatos de pessoas idosas sobre lembranças da infância.

A própria árvore utilizada na obra também carrega uma história. Ela foi encontrada pelo artista depois de ser derrubada pelo vento durante uma tempestade e ganhou uma nova função dentro da exposição.

A instalação amplia a proposta da mostra ao transformar a memória em uma experiência não apenas visual, mas também sonora.

Música e memória

A abertura da exposição terá apresentação do grupo Vozmecê, que também trabalha com referências relacionadas à memória, à formação e ao território.

O grupo mistura elementos da música sul-mato-grossense e fronteiriça, como viola, guarânia e chamamé, com sonoridades contemporâneas.

A ideia para a apresentação é criar uma atmosfera de escuta que dialogue com as obras, em vez de funcionar apenas como um show independente da exposição.

A relação entre música e memória também aparece na própria trajetória do grupo, que utiliza referências da infância e do lugar de onde vieram seus integrantes.

Visitas guiadas e oficinas gratuitas

Além da visitação à exposição, o público poderá participar de uma programação educativa nos dias 3, 10, 17 e 24 de outubro, sempre aos sábados, das 14h às 17h.

As atividades terão visitas guiadas pela exposição e oficina de construção de imagem poética, conduzida pela arte-educadora Letícia Maidana, com participação de Wendel Fontes. Não é necessário ter experiência anterior em artes visuais.

A programação também terá recursos de acessibilidade, com intérprete de Libras e audiodescrição das obras por meio de QR Code.

A proposta da exposição é fazer com que o visitante não apenas observe as pinturas, mas também estabeleça relações com as próprias lembranças.

Serviço

Exposição “O que permanece em nós?” – Wendel Fontes

  • Data: de 2 a 30 de outubro de 2026
  • Abertura: sexta-feira (2), às 19h, com apresentação do Vozmecê
  • Local: Galeria Wega Nery, no Centro Cultural José Octávio Guizzo
  • Endereço: Rua 26 de Agosto, 453, Centro, Campo Grande
  • Entrada: gratuita
  • Visitação: terça a sexta-feira, das 8h às 20h; sábado, das 8h às 22h; domingo, conforme o funcionamento do Teatro Aracy Balabanian.
  • Visitas guiadas e oficinas: 3, 10, 17 e 24 de outubro, das 14h às 17h.

A exposição tem investimento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, com execução do Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.