Leitos estão lotados no HRMS (Foto: divulgação)

Medicamentos de auto custo estão sendo comprados pela família e entregues no hospital

A pandemia de coronavírus tem feito muitas vítimas no último ano no mundo e, em Campo Grande a situação não tem sido diferente. Entre os vários problemas desenvolvidos com a evolução da doença, ainda está a escassez de remédios.

As dificuldades não tem sido enfrentadas somente por quem ocupa um leito clínico ou de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), na batalha pela vida, mas sim sendo vivenciada pelos familiares, que aqui fora sofrem por não poder ver, tocar, estar junto ou até mesmo pela falta de algum remédio.

A carência de medicamentos para o tratamento de diversas síndromes infecciosa, bacterianas e dos mais variados tipos, adquiridas por meio da Covid-19, ou enfraquecimento que o vírus desencadeia no sistema imunológico não é uma novidade no Brasil, e muito menos em Campo Grande.

A situação de alguns pacientes internados devido a forma grave da Covid, tem tirado o sono, o sossego e as economias de algumas famílias da Capital, que estão com familiares no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), referência no tratamento da covid-19.

Em entrevista ao Enfoque MS, a irmã de um paciente que está internado desde o dia 14 de maio no HRMS e já, no dia 15 precisou ser induzido ao coma por conta do acometimento dos pulmões causados pelo agravamento da doença, é uma das que tem vivido uma verdadeira batalha na busca pela Polimixina B, um medicamento fundamental no combate a uma bactéria, que se instala normalmente no ato da intubação necessária em casos como estes, em que o paciente não respira sem ajuda mecânica.

A bactéria é multirresistente sensível somente a três antibióticos, a Gentamicina, Bactrim e a Polimixina B que devem ser utilizados em conjunto para que haja resultados efetivos no tratamento.

A esposa do rapaz internado há mais de um mês, relata que recebeu a informação da médica do hospital, de que o marido precisaria da medicação em falta, todavia ele estaria sendo medicado com remédio similar, porém, para ter mais chances de recuperação seria necessário o uso da medicação citada.

O antibiótico é de uso hospitalar, portanto sua compra só é possível através de instituições de saúde por meio de CNPJ, situação que dificulta a aquisição por parte da família que vive uma verdadeira caçada ao remédio. Outro agravante é o valor exorbitante encontrado atualmente no mercado.

O remédio que antes da pandemia era comercializado a R$74 a ampola, vem sendo vendido a cerca de R$250, dificultando ainda mais a compra. No caso da família em questão, uma busca intensa foi conduzida, para achar um local disposto a vender para pessoa física e desta maneira ter uma média do que seria gasto.

Após muita pesquisas, ligações e conversas, a irmã conseguiu um contato em Goiás que se prontificou a realizar a venda da Polimixina B, totalizando um custo de 15 mil por 60 ampolas.

Como forma de levantar o dinheiro a família vem realizando vaquinhas, além de esgotar cartões e economias.

Um outro paciente internado no mesmo hospital também estaria passando pela mesma situação, da falta da medicação específica. A família de um homem de 61 anos tem passado por momentos de verdadeira angustia na busca pelo medicamento.

Como na outra situação, os familiares realizaram vaquinha, rifas e até cogitaram a venda do carro para arrecadar o valor de 7 mil necessário para a compra da Polimixina.

Assim como na situação anterior, foram informados da ausência e da necessidade do remédio, onde fora sugerido a compra, entretanto sem nenhuma orientação de como adquirir. A filha se dispôs a comparar e pediu para que o hospital fornecesse uma receita ou ao menos uma declaração para viabilizara a compra, o hospital, porém, informou que não seria possível pois feriria questões burocráticas da instituição.

A moça ainda teria feito uma carta a próprio punho solicitando uma reunião com responsável pela questão, medida essa sugerida pelo canal de comunicação dos responsáveis de pacientes. Solicitação essa que não foi atendida até o fechamento desta matéria.

Uma das reclamações de ambas as partes citadas é quanto ao posicionamento do hospital diante destas questões. Conforme as fontes que preferiram não se identificar, tem faltado informações a respeito das sugestões de compra. “Não se propõem a ajudar, falam isso e não nos dão respaldo de onde ou como adquirir, ficamos perdidos procurando em farmácias e, só depois de rodar Campo Grande é que descobrimos que não se vende em farmácia”.

Outra situação, discrepante é o fato de pedirem para que comprem o medicamento, sendo que os mesmos alegam estar em falta nos laboratórios. Porém o mais curiosos é que mesmo a compra sendo feita conforme as possibilidades para salvar uma vida, o medicamento é encontrado a disposição para a compra.

Uma outra questão questionável é a entrada destes medicamento na instituição hospitalar, onde as fontes alegam entregarem diretamente ao médico responsável sem haver nenhum protocolo garantindo que aquela medicação foi entregue ou que até mesmo chegue ao paciente.

A assessoria de comunicação do Hospital Regional foi procurada, que informaram que o medicamento Polimixina B é uma medicação de uso hospitalar, apenas clínicas e empresas de saúde podem aderir a esses medicamentos, pois não são vendidos para pessoa física. É norma da Anvisa.

Quando questionado sobre a entrada dos medicamentos no hospital informaram da seguinte forma: “o artigo 196 da CF garante o direito igualitário a saúde pública, isso significa dizer que o HRMS por ser um hospital 100% SUS deve cumprir a CF. Dessa forma o HRMS não pode receber doações de medicamentos nem pedir eles a outros hospitais para fins específicos.

Se o HRMS recebe uma doação de dipirona, por exemplo, a medicação será dada a todos que necessitam, independentemente de ser parente de A ou B, não podemos fazer destinação. Aquele que está em tratamento e necessita da medicação vai receber de acordo com os protocolos médicos, amparados em ditames legais e na ética médica.”

Sobre as dúvidas o hospital orienta que as famílias devem procurar a ouvidoria do HRMS, caso as informações repassadas pela equipe médica assistencial deixe dúvidas. Dessa forma, o Hospital poderá responder a eles pelo canal oficial.

Confira na integra posicionamento do HRMS

A Secretaria de Estado de Saúde destaca que está dando o suporte necessário para os pacientes internados em leito de UTI.

Polimixina B é um antibiótico para tratamento de infecções por bactérias multirresistentes.

O antibiótico Polimixina B está em falta no País inteiro, por falta de importação de matéria prima. Essa falta está ocorrendo no mundo todo, pois todos os lugares do mundo estão utilizando esse antibiótico.

Informamos que os processos legais de aquisição de medicamentos, sejam processos para formalização de Atas de Registro de Preço e/ou processos de aquisições emergenciais, estão em curso. Entretanto, as empresas responsáveis pela importação do remédio no Brasil enviaram documento avisando na falta mundial do insumo e com isso o atraso na entrega das compra seja realizadas.

Para não parar o tratamento do paciente, o Hospital regional está utilizando tratamentos similares no paciente. Os pacientes estão recebendo todos os medicamentos necessários.

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