Festival de Música Indígena celebra cultura Guarani Kaiowá com inauguração de Casa de Reza

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Foto: Divulgação

A aldeia Panambizinho, em Dourados (MS), recebe a quinta rodada do Festival de Música Indígena, com uma programação dedicada à valorização das culturas originárias, à transmissão de saberes tradicionais e ao fortalecimento do protagonismo indígena. Um dos momentos centrais será a inauguração da Casa de Reza Ongusu, na sexta-feira (16), às 13h30, espaço sagrado que ocupa um lugar fundamental na vida espiritual, cultural e comunitária do povo Guarani Kaiowá.

Conhecida também como óga pysy, a casa de reza é um espaço de espiritualidade, encontro e transmissão de conhecimentos entre gerações. Nela, acontecem rezas, cantos, danças tradicionais e reuniões comunitárias, além de práticas conduzidas por lideranças espirituais e pelos mais velhos. Sua existência está profundamente ligada ao Tekoha, território tradicional onde o povo Guarani Kaiowá realiza seu modo de vida, e ao Teko porã, princípio associado a uma vida harmoniosa em comunidade e com a natureza.

A inauguração da nova Casa de Reza Ongusu também reafirma a resistência cultural indígena diante de episódios de intolerância religiosa em Mato Grosso do Sul. Em 2024, casas de reza foram destruídas por incêndios em Caarapó e Japorã. Em agosto de 2025, outro incêndio atingiu uma casa de reza na Reserva Indígena de Dourados, em um caso investigado pela Polícia Federal sob suspeita de ação criminosa. Nesse contexto, a nova construção em Panambizinho representa o fortalecimento da espiritualidade, da memória e da continuidade dos saberes ancestrais.

A parceria entre o Espaço de Cultura e Arte Casulo e o povo Guarani Kaiowá é um dos pilares do festival, que busca aproximar as comunidades indígenas e não indígenas por meio da música, da arte e do compartilhamento de conhecimentos. Para Julia Aissa, coordenadora do Casulo, essa colaboração é essencial para construir pontes entre diferentes realidades e ampliar o reconhecimento das culturas originárias. “A parceria é essencial para construir pontes entre diferentes realidades e ampliar o reconhecimento das culturas originárias. Além disso, as ações contam com a participação de mais de 300 indígenas de outras comunidades que vieram de ônibus [caravanas] para participar”, destaca.

Festival de Música Indígena celebra cultura Guarani Kaiowá com inauguração de Casa de Reza
Foto: Divulgação

A importância do festival para a valorização dos artistas da comunidade também é ressaltada por Cris Lossate Kaiowá. “Como mulher indígena Guarani Kaiowá, digo que o Festival de Música Indígena é muito importante, porque fortalece os artistas indígenas, que muitas vezes não são valorizados lá fora. Nossa programação veio exatamente para que os artistas indígenas se sintam acolhidos e valorizados pela comunidade”, afirma.

A programação começa nesta quinta-feira (15), com oficinas de saberes tradicionais, artesanatos e práticas Kaiowá, realizadas na Casa de Reza Ongusu. As atividades incluem artesanato, vestimentas tradicionais, grafismo corporal, construção com taquara, enfeites da Casa Kaiowá e audiovisual, sob coordenação de Cris Lossate Kaiowá. Às 16h, o público poderá acompanhar a apresentação teatral Luma e a Estrela Mágica, do Itan Grupo de Teatro. Nesta sexta-feira (16), a agenda prevê plantio coletivo, às 8h, e a inauguração da Casa de Reza Ongusu, às 13h30, com os anfitriões Ñanderu Nivaldo e Nhandesi Feneida.

Chefe da Divisão Técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Mato Grosso do Sul (Iphan-MS), Aline Di Salvo destaca a importância do festival para a valorização e a salvaguarda do patrimônio cultural indígena. “Vamos participar do festival como convidados para este momento de celebração. E o festival conta com o trabalho do Casulo, que possui um papel fundamental na proteção e difusão do patrimônio cultural no Estado de Mato Grosso do Sul”, afirma.

No sábado (17), das 13h30 às 17h30, a Casa de Reza Ongusu recebe rodas de conversa sobre o Protocolo de Consulta com Comunidades Indígenas, com o professor Sebastian, da Faculdade Intercultural Indígena da UFGD (FAIND/UFGD), e sobre o Inventário Nacional das Referências Culturais e o Inventário Nacional da Diversidade Linguística, com participação do Iphan, de pesquisadores indígenas e do Casulo. À noite, a partir das 19h, o Espaço Cultural Tembólo recebe a Noite Cultural, com show de Rozelaine Souza Guarani, às 21h, e apresentação do DJ Jhones, às 23h.

“O Festival de Música Indígena é muito importante porque fortalece nossa cultura, valoriza nossos artistas e mantém vivos nossos cantos, nossa língua e nossos conhecimentos ancestrais. É um espaço para mostrar ao mundo que nossa música é identidade e a voz dos nossos povos indígenas”, afirma Rozelaine.

O Festival de Música Indígena conta com investimento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC), e é executado por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS). A iniciativa tem ainda o apoio do Núcleo de Arte e Cultura da UFGD (NAC/UFGD), da UEMS de Dourados, da ADUEMS, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Escola Municipal Indígena Pai Chiquito. Mais informações pelo Instagram @casulodourados.

Serviço:

Festival de Música Indígena – 5ª Rodada

Data: quinta-feira (15) a domingo(17)
Local: Aldeia Panambizinho, Dourados (MS)

  • 15 de outubro (quinta-feira): oficinas de saberes tradicionais, artesanatos e práticas Kaiowá, das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30; apresentação teatral Luma e a Estrela Mágica, às 16h.
  • 16 de outubro (sexta-feira): plantio coletivo, às 8h; inauguração da Casa de Reza Ongusu, às 13h30.
  • 17 de outubro (sábado): rodas de conversa, das 13h30 às 17h30; Noite Cultural, a partir das 19h, no Espaço Cultural Tembólo; show de Rozelaine Souza, às 21h; DJ Jhones, às 23h.
  • Mais informações: Instagram @casulodourados.